Billie Eilish – a jovem travessa que estamos a tentar entender

Billie Eilish na Altice Arena em Lisboa a 4 de setembro de 2019 fotografados por Nuno Conceição

17 anos de idade, energia e milhares de fãs dedicados à sua espera. Foi assim que começámos a tentar descobrir que fenómeno é este que está a deixar os adolescentes completamente eufóricos, num misto de pico energético e o choro pulsante. Alguns pais tentaram acompanhá-los nesta noite quente. Outros viram-se a braços com o trânsito entupido no final para apanhar os seus teenagers.

Como de costume, surge com um visual andrógino, calções largos e t-shirt largueirona também, com um “Taz” estampado. Diz que se veste assim porque não quer que percebam se é gorda ou magra. Com linhas mais redondas ou mais esguias, Billie Eilish provavelmente quebrará o recorde de Taylor Swift por ser a pessoa mais jovem a ganhar um Álbum do Ano nos Grammys – conquistado aos 18 anos, com um álbum que ela lançou aos 17 e gravou aos 16.

Em palco, com ela, está um baterista e o irmão mais velho, Finneas O’Connell, que “vai a todas”: teclados, guitarra e baixo. Eilish não fez extensas declarações mas foi manifestando o seu amor pelo público, explicando alguns gestos e coreografias que pretendia ver reproduzidas e repetindo o que já se sabe: “vocês são a melhor audiência do mundo!” – não somos sempre?

O momento alto da noite deu-se quando a cantora se sentou numa cama de ferro (que parece uma cama de hospital/manicómio) que se foi elevando. Sentadinha ao lado do irmão, que a acompanhou à guitarra, confessou-nos que a canção ‘I Love You’ tinha sido composta pelos dois num ambiente parecido. Só que estavam num quarto às 2h00 a falar das angústias que, na fase de vida que ambos atravessam, ganham dimensões catastróficas e todo o adeus parece para sempre. Em fundo, uma lua e um céu estrelado acompanham os dois.

Não é fácil para quem já está na faixa etária de “pai de adolescente” identificar-se com o fenómeno. Quando precisamos de nos sentir jovens talvez não seja a ela que vamos recorrer. Não, já não damos as mãos ao vizinho do lado só porque a onda generalizada é chanty chanty, não choramos porque a miúda declara amor ao irmão e não achamos lá grande piada a fogo que saia fora dos grelhadores de fim de semana. Mas se até Dave Grohl está rendido a ela porque não haveremos de gostar? A miúda faz-se e os seus milhões de seguidores parecem estar cá para a ver tornar-se numa cada vez maior cantora. Para muitos, esta terá sido a primeira fervorosa experiência do “ao vivo”. E inesquecível.

Mais em: Musicfest – O cartaz dos festivais de música

Daniela Azevedo

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