Backstreet Boys: de meninos de poster a cantores de valor

Backstreet Boys na Altice Arena em Lisboa a 11 de maio de 2019 fotografados por Mónica Ribeiro

26 anos depois de serem o poster mais desejado da Bravo, os Backstreet Boys fizeram um regresso triunfal na noite de 11 de maio perante uma Altice Arena, em Lisboa, completamente cheia para receber o pontapé de saída da atual DNA Tour.

“Haters gonna hate”, já diz a canção, mas desengane-se quem achava que no concerto dos Backstreet Boys havia material para memes ou para piadas sobre o desempenho dos rapazes que fizeram furor nos anos 90.

Agora dirigida a um público que estará pelos seus 40 e poucos anos, a boyband consegue um extraordinário equilíbrio entre sensação e nostalgia, combinando uma pop poderosa e colorida com as suas eternas baladuchas, sempre orgulhosos do que estão a fazer e sempre a serem muito aplaudidos.

Depois de uma muito bem-sucedida residência em Las Vegas, que lhes valeu uns quantos milhões de euros a mais nas contas bancárias, os BSB começaram na Altice Arena a sua maior digressão mundial em duas décadas de apoio ao mais recente álbum, DNA.

As coreografias clássicas mantêm-se impecáveis, os chapéus continuam a fazer parte do look que não fugiu, lá mais para o final, à moda da cor integral da cabeça aos pés – no caso, o branco foi a escolha.

O que aconteceu a Alexander James McLean? A boa surpresa é-nos mostrada ao som de ‘Don’t Want You Back’, do álbum “Millennium”, de 1999, interpretado com um vozeirão que “obriga” a algum silêncio para se escutar – mais do que simplesmente ouvir ou dançar.

Os BSB estão entradotes, e eles sabem disso, o que só lhes confere ainda mais charme ao invés de se armarem em Peter Pans fajutos. “Houve uma altura em que eram vocês que nos mandavam cuecas para o palco”, disse um divertido Kevin Richardson, o mais velho dos Backstreet Boys (hoje com 47 anos), antes de, acompanhado apenas por AJ Mclean (sou só eu a achar que Nick já não é o mais giro mas sim AJ?) para o seu solo, protagonizarem eles uma espécie de strip tease, ainda que escondidos atrás de biombos, mas a trocarem de roupa ali mesmo em palco. Dizem-nos que a energia de Portugal é tudo o que precisavam para esta digressão e oferecem-nos ‘Quit Playing Games With My Heart’ e ‘As Long As You Love Me’.

Um pequeno cartaz a dizer “Obrigado” é empunhado e percebemos que o espetáculo está a chegar ao fim (com muita pena, diga-se).

Estamos todos com mais uns aninhos em cima, é normal, e estamos todos felizes com o espetáculo a que aqui se assistiu. Todos voámos para outros tempos, todos fizemos karaoke e todos nos esquecemos de que estamos em 2019.

Mais em: Musicfest – O cartaz dos festivais de música

Daniela Azevedo

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