Yami Aloelela: «Sou um café claro e gosto de mim nesta mescla»

Yami Aloelela

Yami Aloelela lançou uma música nova intitulada ‘Eu Amo-te’. O tema, composto de surpresa para a esposa a propósito do Dia de S. Valentim, conta com a colaboração do guitarrista Phelipe Ferreira, dos D.A.M.A.

‘Eu Amo-te’ é uma melodia que transmite uma simples e majestosa declaração de amor, e que está disponível mais abaixo.

Além de cantor, Yami Aloelela é produtor, compositor e baixista, sendo frequente vê-lo em colaborações com vários artistas nacionais e internacionais, como Anna Maria Jopek, Demis Roussos, Marito Marques, Rahani Krijna, Munir Hossn, Paulo de Carvalho, Ivan Lins ou Sara Tavares. Atualmente acompanha, como baixista, a fadista Mariza, mas já lançou em nome próprio dois álbuns: “Aloelela”, em 2009, e “Beijo de Luz”, em 2016.

Há poucos dias, numa destas manhãs frias e de chuva, conversamos sobre a tropicalidade que tem na voz…

 

Daniela Azevedo com Yami Aloelela em Lisboa em conversa sobre a canção Eu Amo-te
Daniela Azevedo com Yami Aloelela em Lisboa em conversa sobre a canção ‘Eu Amo-te’

 

Daniela Azevedo – Sobre este teu novo single, ‘Eu Amo-te’, à partida percebemos que é uma canção de amor, é assim?
Yami Aloelela – É e é o meu tema preferido: o que me move é o amor, o que eu gosto de cantar é o amor, o que eu gosto de escrever é o amor, só falta dizer que eu sou amor [risos]. É uma canção muito pessoal mas agora pertence ao Universo.

DA – E tem uma história engraçada por detrás… conta-nos lá…
YA Sim, tem. Eu fiz a canção para a Isabel, a minha esposa, que não a conhecia, eu fiz a canção às escondidas; gravei-a mas depois tive um percalço: no dia em que eu estava a pensar dar-lhe a música, ao vivo e a cores, dia 14 de fevereiro, estava na Polónia em digressão! Por causa de toda a promoção que um lançamento implica, fotos e tudo isso, só consegui que saísse uma semana depois. De qualquer forma ganhei pontos extra! [risos].

DA – A canção conta com a colaboração do guitarrista dos D.A.M.A. Como é que isso surgiu?
YA É um miúdo fantástico que eu descobri no ano passado, um músico extraordinário e uma pessoa maravilhosa. Estavamos em estúdio a gravar outras coisas e eu virei-me para ele e disse: olha, já acabámos esta sessão, sobra-nos tempo e eu tenho aqui uma canção que vou gravar. Mostrei-lha e foi logo take direto, até porque a canção é simples, só com voz e violão, mas ficou logo gravada na hora.

DA – A canção virá a integrar algum álbum?
YA – Em princípio não; é um single isolado, assim como daqui por um tempo sairá outro, sobre o qual ainda não posso falar [risos], mas são singles isolados, não fazem parte de nenhum álbum específico.

DA – Em relação à tua carreira, tu que já trabalhas há tantos anos com outros cantores, qual é a melhor parte? Compor, cantar, tocar ou produzir?
YA – Sim, eu faço a festa, atiro os foguetes e, no fim, vou apanhar as canas! [risos] O que esta vida me tem dado de melhor são os momentos, as experiências que vivo. Eu sou muito grato por acompanhar artistas de várias vertentes musicais porque vou aprendendo com eles e dão-me a oportunidade de fazer aquilo que mais gosto na vida: tocar e viajar! É tão bom ir à aventura! Há mais de 20 anos que viajo e vou sempre de cabeça e coração abertos para conhecer novas pessoas e sabores, porque eu sou uma boca santa [risos], portanto é um conjunto de fatores bons que se reúnem na música, não posso escolher só um.

DA – É facil separar o que és tu como músico e como cantor?
YA – Agora é mas durante muitos anos não foi, porque eu tinha dificuldade em perceber a minha essência, se era português angolano ou angolano português. Foi assim até eu me encontrar, perceber que tenho o melhor dos dois mundos e sou um privilegiado. Eu gosto de leite e de café; sou um café claro, pronto [risos], gosto desta mestiçagem e gosto de mim nesta mescla.

DA – Qual a principal mensagem que pretendes passar com os teus dois albuns já lançados? Amor?
YA – Claro! Os meus dois álbuns são sobre amor. O segundo chama-se “Beijo de Luz”, que é a frase com a qual gosto de me despedir das pessoas. São duas palavras sem conotações negativas, são só coisas boas, só mel. A mensagem fulcral é sempre o amor, sim.

DA – Dizes-me que comer e viajar são duas das atividades de que mais gostas na vida. E o que te preocupa? O que te tolda esse brilho no olhar?
YA – Tanta coisa… Faz-me muita confusão o rumo que a humanidade está a tomar. Tenho dois filhos: O Tomás, com 15 anos, e o Tiago, com 12. São duas crianças que já vêm com mais defesas do que nós temos, porque já nasceram nesta Era, têm outra preparação, mas não consigo prever o que vão ter deste mundo daqui a 30 anos porque hoje em dia ouvimos ou lemos as notícias e percebemos o que está a acontecer de mau em África, na Síria, no Médio Oriente, nos Estados Unidos e na Europa. O mundo tornou-se tão frágil devido aos pensamentos, atitudes e condicionalismos do Homem. O Homem é o pior inimigo do Homem e de tantas espécies animais que já desapareceram e continuam a extinguir-se… Agora vemos que os ursos polares estão a morrer à fome na sua própria casa, como é possível? Tudo isto me preocupa, me deixa lágrimas nos olhos, mas sinto-me impotente, e não sei o que é pior: se é ter consciência disso e falar com as pessoas sobre essas tragédias ou sentir-me impotente para fazer seja o que for. De cada vez que vou para queixar-me de algum problema, paro de imediato porque há muita gente em situações muito piores que nós.

DA – Por onde vais andar nos próximos tempos?
YA – Podem vir comigo para Cabo Verde agora em abril porque vou para a Ilha da Praia dar concertos em dez dias seguidos. Já os meus concertos, em nome próprio, os que tenho agendados agora são para a Europa Central. Mas gostava imenso de ter mais atuações em Portugal.

 

 

Daniela Azevedo

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