Mafalda Veiga sobre os concertos acústicos: «Quis levar a minha sala de trabalho para um palco»

Mafalda Veiga em concertos acústicos durante o ano de 2018

Mafalda Veiga está de regresso à estrada para, em 2018, fazer concertos acústicos. Nos espetáculos, a cantautora está completamente a solo, apenas acompanhada por uma guitarra acústica e outra elétrica.

É a primeira vez que Mafalda Veiga se vai aventurar num concerto que vai sendo construído na hora, ou seja, como se levasse o trabalho de casa para o palco.

O repertório é grande e inclui músicas mais antigas, além de versões que Rui Reininho criou com apontamentos humorísticos para temas de Elvis Presley e Suzanne Vega.

Em março de 1988 Mafalda Veiga começou a tocar com uma banda, pelo que a efeméride também é assinalada em 2018. Sobre estas três décadas dedicadas à música, a cantora diz que tudo passou num instante.

Além dos temas mais conhecidos do grande público, também haverá espaço para o álbum mais recente, “Praia”, que mistura pop com sons mais tradicionais e fala das coisas boas da vida. Com dez álbuns editados e centenas de concertos, pelos quatro cantos do mundo, Mafalda Veiga parece estar confortável com esta digressão “Crónicas da Intimidade de Uma Guitarra Azul”.

Em 2018 passam 35 anos sobre a sua primeira composição, “Velho”, de 1983, e três décadas sobre o lançamento do primeiro disco, “Pássaros do Sul”, de 1987. No meio de duas grandes constipações, conseguimos falar um pouco sobre o que aí vem este ano…

 

Mafalda Veiga e Daniela Azevedo em véspera do arranque da digressão acústica
Mafalda Veiga e Daniela Azevedo em véspera do arranque da digressão acústica

Daniela Azevedo – Falamos sobre esta digressão que estás a fazer, uma digressão acústica e, ainda por cima, só com uma guitarra que é especial, é isso?
Mafalda Veiga – É a primeira vez que estou a fazer um espetáculo acústico. A base e o conceito são eu levar duas guitarras: uma acústica, outra elétrica, teclado e pedais, e eu construo o espetáculo à medida que ele vai decorrendo, porque há loops e outras coisas que vou gravando mas são gravadas na hora, no palco. No fundo o que eu quis foi levar a minha sala de trabalho para um palco e mostrar como consigo trabalhar as canções. Assim, soam mais próximas daquilo que eu compus. O repertório é grande, fui buscar músicas mais antigas. Além disso, como sou muito fã dos GNR e de Rui Reininho, pedi-lhe para me fazer adaptações para português de algumas canções muito conhecidas, como o ‘Love Me Tender’, de Elvis Presley, e ‘Luka’, da Suzanne Vega, ambas num registo humorado e que fazem parte destes concertos.

DA – Nestes concertos continuas a pôr um peso muito grande nas palavras?
MV – É um pouco mais descontraído e a escolha das canções foi feita pela diferença, ou seja, um dos critérios foi o que o público mais me pede para ouvir e também a leveza de as pôr em palco só com uma viola. Há outras canções minhas que são mais introspetivas e emocionais que não estão incluídas aqui.

DA – Que efeméride assinala este álbum?
MV – Eu comecei a tocar ao vivo em março de 1988. Portanto, faz 30 anos que comecei a tocar.

DA – Foi um bom percurso?
MV – Foi muito rápido [risos]; é estranho. Quando os mais velhos nos dizem para aproveitar o tempo, é mesmo verdade, o tempo voa, é tudo muito rápido. Eu sou muito despistada com o tempo e tenho algum problema com as cronologias; a minha relação com o tempo é muito emocional e distraída quanto ao peso dos anos. Há episódios na minha vida que foram há muito tempo e a mim parecem-me que foi ontem.

DA – Estes concertos têm muitas canções, antigas, já bem conhecidas do público, mas têm também algumas do “Praia”, do mais recente álbum?
MV – Claro, é uma mistura grande, as canções sem os arranjos e a banda ficam mais curtas, por isso, na realidade eu estou a tocar muitas canções: 22 em hora e meia porque elas são curtinhas; só à viola, ficam mais compactas.

DA – Este ano em várias cerimónias da música e vários estudos referentes a 2017, ouvimos dizer que precisamos de mais mulheres na música. Concordas?
MV – Eu concordo, mas apesar de achar que são precisas mais mulheres, também vejo que cada vez vamos descobrindo mais. Ainda há pouco tempo, através da Márcia e do André Tentúgal, descobri uma que é a Joana Almeirante, do Porto. Há muita gente a tocar, é uma questão de ir dando espaço a essas pessoas. Há muitas mulheres a começar agora carreiras que tenho a certeza que vão ser muito importantes na música em Portugal.

DA – Para estes dias chuvosos, que canção tua recomendarias?
MV – Estava a pensar no ‘Domingo’ [risos] porque é uma canção “de casa”, que me faz lembrar do quentinho… daqueles dias de ter tempo para tudo… é uma canção para estar só em casa.

 

 

Daniela Azevedo

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