Músicos portugueses celebram o legado de Leonard Cohen em dia de efeméride

Músicos portugueses no tributo a Leonard Cohen no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, a 22 de setembro de 2017, fotografados por Filipe Pedro

David Fonseca, Miguel Guedes, Jorge Palma, Mazgani, Samuel Úria e Márcia foram as vozes nacionais que homenagearam o músico canadiano no dia em que faria 83 anos. O concerto, que durou mais de duas horas, realizou-se no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, a 21 de setembro.

Os músicos portugueses, que assumiram ligações pessoais e fortes à música de Cohen, ensaiaram por pouco tempo antes da atuação, o que acabou por conferir alguns momentos verdadeiramente genuínos no desfilar dos grandes êxitos, personalizados ao estilo musical de cada um, pela noite fora. Em palco, apenas focos de luz, nada de muito vistoso, sempre encimados por uma imagem do chapéu que foi imagem de marca do músico. Outros tantos, mais pequenos, “caíram” sobre o palco mais tarde.

O primeiro poeta de serviço foi Mazgani com ‘If It Will Be Your Will’, seguida de ‘Take This Waltz’, de 1986, para criar logo um momento de grande identificação com o público que bem se lembra da canção em tributo a Federico García Lorca. Mazgani conseguiu trazer-lhe algum exagero interpretativo de chanson francaise que o tema sugere por ter sido gravado em Paris.

Miguel Guedes foi o senhor que se seguiu. Em plena forma vocal e prestes a lançar um novo álbum com a sua banda, os Blind Zero, o cantor deu voz e alma à ‘Tower Of Song’, também dos anos 80, e a seguir indicou-nos o túnel do tempo até 1967 e a uma canção cheia de peculiaridade: a que abre o lado A do álbum de estreia, “Songs of Leonard Cohen”, e que ganhou o nome de alguém que, outrora, recebera Cohen de forma muito hospitaleira com o tal chá com pedaços de laranja que descreve na canção: ‘Suzanne’.

A cada duas canções, temos artista novo em palco, o que nos dá a certeza de estarmos perante uma banda de apoio para a qual os bons adjetivos não chegam. Haja capacidade de adaptação a cada estilo! O próximo é de David Fonseca que nos diz que, curiosamente, conheceu Cohen através dos Pixies que popularizaram uma versão de ‘I Can’t Forget’, a primeira que escolheu interpretar. ‘Hey, That’s No Way to Say Goodbye’ ocupou os minutos seguintes da sua também sentida interpretação.

A resposta do público português à admiração que Cohen continua a reunir, são três das noites de tributo esgotadas. Só o Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz tem ainda alguns bilhetes à venda. A 27 de setembro o concerto é na casa da Música, no Porto, a 29 de setembro no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz e a 10 de outubro no Cine-Teatro Louletano.

Falta a referência a Jorge Palma – elegante, discreto, profissional e encantador. O “senhor piano” escolheu precisamente este instrumento para interpretar ‘Bird On The Wire’, enquanto ‘First We Take Manhattan’, do álbum “I’m Your Man”, de 1988, um dos mais populares na carreira do artista homenageado, foi a música escolhida para a despedida de Palma a solo. O músico, para um final cheio de energia, pegou na guitarra e acompanhou todos em ‘So Long, Marianne’, a canção que Cohen fez para Marianne Jensen, com quem viveu e a quem a dedicou quando se separaram, tendo sido, contudo, um dois grandes amores da sua vida que nenhuma outra namorada apagou. Curiosa mas tristemente, ambos morreram de cancro no ano passado. Tudo o que esta canção encerra se reviveu ali, no Olga Cadaval…

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Daniela Azevedo

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