Ricardo de Sá: «Todas as artes vêm dar à música»

Ricardo de Sá - Epifania

Ricardo de Sá é um ator e cantor português, natural de Lisboa. Quase a fazer 28 anos anos, o artista já participou em curtas-metragens e séries televisivas, como “T2 Para 3” ou “Morangos Com Açúcar” e, neste momento, integra o elenco da telenovela “A Única Mulher”, da TVI.

Em 2014 Ricardo de Sá lançou o álbum “Histórias” que decidiu revisitar no final deste ano para dar vida ao EP “Epifania”. O EP traz cinco temas, com uma nova atitude e música ao vivo, que permitem, segundo me conta, compreender melhor o conteúdo do primeiro álbum.

Simultaneamente Ricardo de Sá lança os videoclipes dos cinco temas do EP: ‘Pessoa Errada’, ‘Não Te Quero Mais’, ‘Histórias’, ‘Fantasia’ e a balada ‘És Tu’, que está disponível mais abaixo.

Epifania pode ser “uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo”. Quis testar numa conversa que aconteceu numa tarde de dezembro de trânsito anormalmente caótico em Lisboa.

Daniela Azevedo entrevista Ricardo de Sá em dezembro de 2016
Daniela Azevedo entrevista Ricardo de Sá em dezembro de 2016

Daniela Azevedo – “Epifania” é o EP que estás a lançar no final deste ano. Apesar de já conhecermos as músicas, o EP traz algo de novo. O que é?
Ricardo de Sá – Como o nome indica, foi uma epifania minha, ou seja, uma maneira de fechar o meu primeiro álbum, “Histórias”. O álbum tem 16 temas e destes cinco ainda não tinha feito videoclipe. Basicamente, tive uma epifania e apeteceu-me regravar as músicas em estúdio com multipistas, ou seja, dez instrumentos em simultâneo, misturando imagem para poder mostrar ao público através das redes sociais e do Youtube, como se fosse um concerto. Regravei estas cinco canções com arranjos diferentes dos que existem no álbum. Depois de ter feito concertos, e ter estado com a banda na estrada, fui evoluindo e estas novas versões fazem parte desse processo.

DA – Isso quer dizer que demoraste só pouco mais de três minutos a gravar cada uma das novas versões?
RS – [risos] Não propriamente… Gravámos nos Atlantic Blue Studios. Inicialmente era para termos gravado em cinco horas mas depois demorou mais tempo a montar os instrumentos e fazer o sound check, porque quis fazer como se fosse um concerto, e acabámos por demorar dez horas. Foi uma noite muito engraçada, intensa e foi gratificante para mim estar com os meus nove músicos e a equipa de filmagem que me acompanha nesta viagem musical desde o início. Repetimos cerca de quatro vezes cada tema e depois escolhi o melhor take.

DA – A tua experiência prévia como actor ajuda a trabalhar esse lado da imagem?
RS – Sim, acho que um ator completo, da velha guarda, da Broadway, tem de conseguir representar, usar a voz e o corpo. Obviamente que ser ator facilita estas experiências na música mas acho que todas as artes aqui vêm dar. Também tive a sorte de ter começado nos “Morangos com Açúcar” que era uma série juvenil e musical. Estreei-me nos coliseus com o elenco dos “Morangos” a cantar versões de outros artistas. Foi aí que me surgiu a ideia de vir a pisar aqueles palcos mas a cantar as minhas músicas. Comecei a aprender a tocar bateria nessa altura, porque a minha personagem era baterista. Já na Escola Superior de Teatro e Cinema gostava muito de cantar e, com o passar do tempo, tenho a certeza que me quero afirmar como artista: ator, músico, compositor, letrista e ter a sorte de fazer o que gosto. Também abre algumas portas já ter algum público mas gosto de diferenciar o que são as personagens que visto e que não ou eu, e o cantor, que sou eu, é um espelho meu.

DA – As letras são todas tuas?
RS – Não são totalmente minhas. Na parte da produção dos temas tive a sorte de trabalhar com amigos talentosos como o Agir, o Héber Marques, dos HMB e o Filipe Gonçalves. Eu sabia que sozinho era impossível fazer algo muito bem feito, por isso, rodeei-me de amigos. A produção do primeiro álbum foi muito natural, não tinha pressa em pôr as músicas cá fora, nem pressões da editora. E foi também por isso que agora gravei este EP; porque me apeteceu.

DA – Ao vivo também tens alguns desses amigos a acompanharem-te?
RS – Sim. Já atuei com o Sensi e com a Juliana Pene Combs, de Moçambique.

DA – A canção ‘Pessoa Errada’ é cantada em dueto com uma voz feminina. Quem é e como é que ela surge enquanto escolha para o EP?
RS – A Juliana apareceu na minha vida por intermédio do Héber que tinha um tema onde considerava importante ter uma voz feminina naquela parte do rap. Gostei muito de a ouvir cantar, tem uma voz lindíssima. Há três anos, quando gravei o álbum, eu não podia imaginar que a sociedade portuguesa ia estar tão interessada nos PALOP. A Juliana está a construir carreira em Moçambique e aproveitei uma altura em que estava, por acaso, cá em Portugal. Ela é muito talentosa.

DA – Hoje soubeste que vais ter uma canção tua na banda sonora de uma telenovela. Já sabes qual é o ambiente que a tua música vai ilustrar?
RS – Não, as cenas ainda não sei. Só sei que vai fazer parte da nova novela da TVI. Estou muito contente porque significa que vou conseguindo ultrapassar algumas etapas sozinho, com trabalho e dedicação. Adorava que fosse a música do genérico mas acho que não deve ser! [risos]. O importante é as minhas músicas estarem a chegar cada vez mais longe e até já passam nalgumas rádios do Brasil.

DA – Que sonho gostavas de concretizar em 2017?
RS – Tendo em conta que o ano de 2016 foi muito bom, porque, como ator, fiz parte da telenovela com mais audiência em Portugal, “A Única Mulher”, no teatro fiz parte do elenco da peça “Plaza Suite“, a mais vista em Portugal e nomeada para os Globos de Outro, onde dividi palco com o Diogo Infante e a Alexandra Lencastre, lancei o meu primeiro CD, “Histórias”, e ainda o EP “Epifania” a fechar o ano, foi um ano tão bom que de 2017 só espero que seja uma continuação. Já tenho músicas novas na gaveta, numa onda mais pop digital, e quero ter uma personagem desafiante numa nova telenovela. Acima de tudo quero que continue tudo a correr bem.

Daniela Azevedo

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