Les Saint Armand lançam EP ao fim de dez anos de carreira: «Para um artista tudo o que acontece na vida é importante»

Les Saint Armand

Les Saint Armand são uma banda que, apesar do nome francês, cantam em português e vem do Porto para cantar o amor, a vontade, a razão e a loucura.

A música que os cinco fazem tem um carácter próprio já marcado por quase dez anos de existência. Agora com uma nova formação, Les Saint Armand estão a promover o EP e single “Nó”, disponível mais abaixo, que já teve direito a concerto de apresentação a 5 de novembro, no Liceu Passos Manuel, no Porto.

Depois disso seguiu-se uma digressão que se prolongou pelo mês de dezembro, após a qual surge a necessidade de conhecer melhor Alex Rodriguez-Lázaro, que está na bateria, José Aníbal Beirão, no contrabaixo, André Júlio Teixeira, na guitarra clássica, voz, teclas e sopros, António Parra, no cavaquinho, teclas, sopros e voz, e Tiago Correia, na guitarra clássica, voz e letrista.

Daniela Azevedo – Les Saint Armand estão agora a lançar o EP de originais “Nó” mas já existem há uma década. Como foi o vosso percurso até agora?
Les Saint Armand – Desde a nossa formação que muito imediatamente começámos a dar concertos e a tocar um pouco por todo o país. Tivemos várias constituições de banda e convidados, que levávamos connosco em cada concerto. Vivemos muitas histórias juntos e com as pessoas que nos acompanhavam. Uma vez sobrevivemos a um nevão em Vila Real, ao regressar de um concerto em Trás-os-Montes, também vimos cair neve quando tocámos em Évora, o que também é um acontecimento único, enfim, exemplos de algumas vivências. Normalmente, em cada concerto arranjávamos outro e estávamos felizes assim, a tocar ao vivo, algo com que sempre identificámos a nossa música. Gravámos algumas maquetas, mas nunca achámos que tivessem qualidade de mercado. Estivemos sempre ligados às artes, à música, ao teatro, à representação, à escrita e desenvolvemos também ao nível individual muitos projetos. Tudo isso enriqueceu a experiência do grupo e deu-nos maturidade artística para agora nos sentirmos prontos para nos apresentarmos oficialmente, com uma nova constituição, uma ideia de futuro sólida e um EP de seis músicas, que servem apenas de exemplo daquilo que é a nossa imensa obra.

DA – Sendo em formato digital, o que acham que reforça esta vossa novidade?
LSA – Temos uma belíssima serigrafia em edição limitada que oferecemos às primeiras pessoas a comprar o álbum online e estamos a preparar o formato físico para o próximo ano.

DA – Pelo meio houve, por certo, momentos importantes para o vosso crescimento como artistas. Querem destacar alguns?
LSA – O nosso crescimento como artistas é indistinguível do nosso crescimento enquanto pessoas. Sendo que há dez anos estávamos a começar as nossas carreiras artísticas e tudo era uma novidade, havia uma urgência de absorver tudo, de compreender tudo. Agora já passámos por mil encontros, mil projetos diferentes. Vivemos amores e desamores. Acompanhámo-nos uns aos outros ao longo deste tempo. Mantivemo-nos unidos. Para um artista tudo o que acontece na vida é importante. É a matéria prima com a qual trabalhamos e criamos as nossas músicas. As nossas músicas são já um destaque sobre alguns desses momentos, ainda que esperemos que as pessoas possam identificar a sua própria vida (e não apenas a nossa história) nas nossas canções.

DA – Quem são as vossas maiores referências musicais?
LSA – Somos pessoas diferentes e reunimos um vasto leque de gostos e referências. É muito difícil reduzir as nossas referências a meia dúzia de nomes. Ouvimos música de todo o mundo e de diferentes géneros musicais. É claro que o nosso gosto também se foi apurando com os anos, mas é difícil definir. Nunca procurámos colar-nos a nenhuma sonoridade específica pré-existente, ainda que seja inevitável não traçar pontes entre a nossa música e a de outros artistas.

DA – Porquê este nome? O que significa para vocês?
LSA – É apenas um nome que encontrámos na altura. Não significa nada de especial. Ao mesmo tempo significa aquilo que somos. É assim com todos os nomes. É aquilo que somos que lhes dá um significado. Não o oposto.

DA – Como correram os concertos deste ano? Em 2017 vêem-se a tocar mais pelo sul do país?
LSA – Os concertos têm corrido muito bem. É a primeira vez que temos tantos concertos seguidos e sentimo-nos muito orgulhosos. As pessoas têm sido muito cúmplices e temos feito muitos amigos. Na verdade, vimos de uma série de concertos na zona centro do país e tudo indica que em maio voltaremos lá e iremos também ao Algarve. Estamos a confirmar uma extensa tour para a primavera.

DA – ‘Nó’ é o vosso primeiro tema a ganhar videoclipe? Onde foi filmado e que história nos conta?
LSA – Foi filmado no Porto, como não podia deixar de ser. Vivemos nesta cidade, apesar de sermos de várias zonas do país – o Alex é da Galiza – e identificamos a nossa música com estas ruas, esta luz, este carácter boémio e simultaneamente romântico, melancólico e húmido. O videoclipe foi inspirado na sua atmosfera e fala de ausências, da espera e de regressos; uma espécie de amor altruísta de alguém que permite que o outro vá, aceitando a impossibilidade de um regresso. Conhecemos na pele os problemas que têm atingido a nossa geração e estamos a falar sobre isso – temos visto muita gente partir. E depois e sempre, o amor na base de tudo, como um certo catalisador das relações humanas.

Daniela Azevedo

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