White Haus sobre “Modern Dancing”: «Este disco tem um som maior, menos low fi»

White Haus lança "Modern Dancing" a 30 de setembro

White Haus, o projeto a solo de João Vieira, conhecido também como DJ Kitten e como um dos mentores dos X-Wife, lança amanhã o seu segundo álbum de originais a solo, “Modern Dancing”. O álbum já começou a ser apresentado no início do mês com um novo single, ‘Greatest Hits’, disponível mais abaixo.

O álbum, que sucede ao “The White Haus Album”, de 2014, foi composto em estúdio, trabalhado na sala de ensaio com banda e depois gravado e misturado na Meifumado por Zé Nando Pimenta. O artista considera que “Modern Dancing” é um disco mais festivo que o anterior.

O single remete para o hip hop e electro do início dos anos 80 e conta com a participação de André Simão, na guitarra, Graciela Coelho, nas segundas vozes, e Gil Costa, na bateria. A voz principal e os sintetizadores estão a cargo de João Vieira. O vídeo, realizado por Vasco Mendes e filmado no Porto, conta com a participação de mais de 150 alunos da Escola Superior de Artes e Design em Matosinhos que se juntaram durante três dias para porem em prática a técnica de rotoscope. São ou não são motivos suficientes para se fazer um telefonema?

Daniela Azevedo – Sabendo nós, à partida, que este disco, que chega amanhã, “Modern Dancing”, é mais festivo que o anterior, pergunto que outras diferenças encontramos?
White Haus – Este disco é bastante diferente do anterior. Em termos conceptuais é um disco menos sombrio que o outro, com uma atitude mais positiva. Não que o anterior fosse negativo mas este foi composto com um estado de espírito um pouco diferente. A parte gráfica e os vídeos andam muito à volta disso: cores vivas e vídeos mais cómicos. O anterior andava muito à volta dos cinzas e pretos. Este álbum, no geral, aborda outro universo, achei interessante mudar completamente. Enquanto o primeiro foi um disco mais caseiro, gravado e trabalhado no meu estúdio, este já foi gravado num estúdio profissional, os músicos que me acompanham na estrada já estão no disco, portanto tem um som maior, menos low fi. Não sendo menos intimista que o primeiro, nota-se uma diferença ao nível de som e produção.

DA – O vídeo de ‘Greatest Hits’ é muito animado também. Como foi feito?
WH – A personagem principal é um cenógrafo, que tem uma companhia de teatro, chamada Mala Voadora, que serviu de cenário ao vídeo. Já o conheço há bastante tempo e acho que ele tem um ar muito engraçado, faz-me lembrar o Jarvis Cocker. Lancei-lhe o desafio e ele aceitou muito bem. Até não foi muito demorado a fazer. Os alunos que participaram não estiveram como figurantes mas ilustraram parte do vídeo. Foi um trabalho de uns quatro dias, muito intenso, mas o resultado foi incrível. É giro fazer assim, envolver muita gente [risos].

DA – Sendo que cantas sempre em inglês, tem havido uma preocupação pela internacionalização?
WH – Não estou muito preocupado. Já ando nisto há alguns anos e deixei de me preocupar com a internacionalização porque se cria um estado de ansiedade demasiado grande e eu não quero passar por isso outra vez. Já o fiz no passado. Com o segundo álbum e com o EP houve bastante interesse das editoras lá fora, muita troca de e-mails, muitas reuniões por skype, mas depois acabou por ficar tudo em “águas de bacalhau”. Resolvi desligar-me um pouco disso e concentrar-me em fazer um bom trabalho aqui em Portugal. Se as coisas crescerem e houver interesse, tudo bem, mas se não houver estou mentalizado que a internacionalização é algo muito difícil e neste género musical são poucos os portugueses a irem lá para fora.

DA – Tu és conhecido de várias maneiras. Quando é que és White Haus, DJ Kitten ou João Vieira?
WH – Antigamente separava muito as coisas. Tinha uma postura muito diferente em palco consoante o projeto. Hoje em dia já consigo ir buscar referências a tudo, procuro o que funciona melhor comigo em palco e tento aplicar isso em todos os concertos. Antigamente, em X-Wife, era mais introvertido porque estava a tocar guitarra e não me podia mexer tanto, mas agora já tenho outra atitude. No ano passado tive um clique e comecei a ver as coisas de maneira diferente. Já dei mais de 300 concertos, pus música mais de mil vezes, e isso acaba por nos mudar. O que eu sinto agora é que tenho responsabilidades diferentes, algumas performances são mais complicadas ao nível técnico, mas acho que uma boa comunicação e a ligação que se cria com o público… já são metade do espetáculo.

DA – Como lidaste coi o fim dos X-Wife e decidiste começar um projeto a solo?
WH – Durante dez anos tivemos uma rotina de ensaiar semanalmente. Com a vinda de um dos membros para Lisboa, deixámos de o fazer e eu comecei a sentir falta disso, foi uma mudança de rotina demasiado brusca, principalmente porque estive sempre ligado à composição e deixei de o fazer. Achei que o tempo em que já não estávamos a ensaiar, devia ser melhor aproveitado: sozinho, a compor, e a trabalhar como produtor. Aliás, no início, como era DJ, achei que era importante começar a explorar mais a área da produção, que a minha carreira de DJ poderia crescer com isso. Comecei com o objetivo de fazer música de dança e assinar como DJ. Como não forço as coisas, aconteceu começar a fazer música que soou mais como projeto de banda. Fui aconselhado por várias pessoas, até por editoras estrangeiras, que começaram a achar que isto deveria ser uma banda e foi nessa altura que decidi: “Ok, vou formar uma banda”. E foi assim que tudo aconteceu.

Daniela Azevedo

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