Sam Alone: «Não se pode ter medo de ter só artistas portugueses em festivais»

Sam Alone lançou este ano, com os Gravediggers, o seu terceiro álbum de estúdio e teve um verão em cheio

Sam Alone & The Gravediggers lançaram mundialmente, em março deste ano, o álbum “Tougher Than Leather”. O disco, composto por 11 temas originais e com distribuição da Sony Music Portugal, valeu-lhes um verão de agenda preenchida a agitar consciências de norte a sul do país com o seu rock pesadão com letras cheias de histórias.

“Tougher than Leather”, o álbum que apresentou em single o tema com o mesmo nome, que se pode ouvir mais abaixo, é o terceiro registo de estúdio de Sam Alone com os Gravediggers, depois de “Dead Sailor”, de 2008, e “Youth in the Dark”, de 2012.

A música de Poli Correia (aka Sam Alone) fala de gente de carne e osso e das suas lutas do quotidiano que continua a achar cheio de injustiças e situações estranhas. Encontrámo-nos no Algarve e lá estava ele, acompanhado da sua “Working Class Rifle” – uma guitarra velha e cheia de marcas carismáticas do tempo que já viveu – e com aquele sorriso desarmado e simples de quem está “tranquilo, man”.

Daniela Azevedo e Sam Alone no Algarve
Daniela Azevedo e Poli Correia no Algarve

Daniela Azevedo – Como é que vão ser as vossas atuações até ao final do ano?
Poli Correia – Para já, é preciso dizer que temos um membro novo, que já está connosco desde o concerto de Lisboa [a 19 de março, no RCA Club], que é a Sara Badalo, que também é algarvia e é uma grande vocalista. Ela faz parte dos Gravediggers e ajuda em várias vertentes do concerto, desde cantar versos inteiros até fazer harmonias e tocar outros instrumentos. Vamos tentar criar uma ou outra surpresa, convidando músicos amigos… vou fazer o que gostaria que fizessem comigo.

DA – E terem uma presença feminina em palco também completa mais a vossa atuação, correto?
PC – Sim, nós já queríamos fazer isto há muito tempo mas nunca o forçamos. Assim que aconteceu, aproveitámos logo.

DA – Durante algum tempo lamentaste ter mais atuações noutros sítios do que propriamente no “teu” Algarve. No ano passado tocaste na concentração motard de Faro e este ano também já atuaste no Festival F, igualmente em Faro. Sendo tu de Quarteira, qual é a importância de estares cada vez mais presente e ativo no Algarve?
PC – Fico super contente de sentir que alguém me reconhece; é especial. De certa forma é mais difícil do que tocar em qualquer outro sítio porque, mesmo entre as luzes, vês caras conhecidas. É uma sensação única poderes tocar na tua região e sentires o apoio da tua comunidade. Mas tendo em conta que já toco desde 2007, este tipo de reconhecimento aqui ainda é muito novo para mim. Mas é brutal! [risos].

DA – Que artistas portugueses ainda tens curiosidade de ver ao vivo?
PC – Benjamim e Diabo na Cruz.

DA – Este ano tivemos muitos festivais em Portugal feitos só com música e com artistas portugueses. Qual é a tua opinião sobre este fenómeno?
PC – Não sou nada nacionalista nem patriota, não acredito em bandeiras nem em nada disso… mas acho que é importante, é bonito, porque muitos festivais continuam a ter só nomes estrangeiros como headliners, a fechar. Não se pode ter medo de ter só artistas portugueses; isso é um mito. É possível e está a acontecer.

DA – E novidades quanto a trabalhos novos, há?
PC – Para já não quero falar muito sobre isso porque ainda estamos em fase de composição. Já existem alguns temas mas se calhar nem vão passar para o disco, porque é sempre assim que começa. Mas estamos a trabalhar.

Daniela Azevedo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.