Miguel Gameiro no Kids Food Festival: «Quando se fala no Ratatui lembro-me sempre da minha avó»

Miguel Gameiro e Daniela Azevedo no restaurante Realmente

É já amanhã que arranca a primeira edição de um novo festival para a pequenada. O Kids Food Festival vai realizar-se no Parque dos Poetas, em Oeiras, neste fim-de-semana.

No que toca à comida propriamente dita, os visitantes têm à disposição um Food Court com street food, esplanadas e relva para piqueniques, ou então, podem optar por jantar num restaurante gourmet. Para queimar as calorias ingeridas, a organização também vai ter muita atividade física: insufláveis para saltar, trepar e escorregar, uma piscina de bolas para mergulhar, aulas de ginástica dadas pelas personagens da Vila Moleza e dança ao som das músicas das séries que eles melhor conhecem e curtem.

O cantor e chef Miguel Gameiro é o anfitrião do festival onde se pode aprender, brincar e cozinhar, e que também conta com as participações dos chefes convidados Rui Paula (júri do programa Masterchef Júnior) Kiko Martins, Vítor Sobral, Justa Nobre e Cátia Rocha, que vão contar com uma ajudinha extra por parte dos participantes do Masterchef Júnior Pedro Jorge, João Mata e Maria Manuel. E porque é que o Miguel Gameiro decidiu alinhar nisto? “Porque tem todos os ingredientes que me fazem querer fazer parte. Falamos de gastronomia, de música, do conceito de família, de crianças e do imaginário infantil a que recorremos a todos os instantes (…) vamos transformar o Parque dos Poetas num grande palco infantil”, explicou o chef cantor.

O artista concluiu um curso de cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril mas depois decidiu frequentar o instituto culinário Alain Ducasse, em Paris, e estagiou nalguns dos mais conceituados restaurantes em Portugal. Quem também vai estar no evento é o Chefe Miguel Laffan, do restaurante do L’AND Vineyards. Para esta aventura, a inspiração veio da avó. “Ela fazia umas lulas recheadas que nunca mais comi. Eram pequeninas, saborosas, recheadas com muito trabalho, com um puré fantástico. E eu, à porta de casa, cheirava-me a lulas e estava a minha avó a cantar o fado. São memórias que ficam”, revelou Miguel Gameiro à Rádio Comercial.

Posto, isto, não podia deixá-lo ir-se embora do restaurante, sem me contar, além da cozinha, por onde tem andado?
Miguel Gameiro – Tenho andado por essas estradas fora, pelos caminhos de Portugal, a fazer os concertos com os Pólo Norte; ainda estamos a terminar a nossa celebração dos 20 anos de carreira. Entretanto estou a preparar um álbum a solo que deve sair no início do próximo ano.

DA – Este ano ainda vamos ter oportunidade de ouvir algo desse álbum novo?
MG – Ainda não estou muito certo se vou lançar o primeiro tema ainda este ano ou só início do próximo. É uma decisão que ainda tenho que tomar.

DA – E os Pólo Norte virão a reunir-se novamente?
MG – Se calhar. Achámos que fazia sentido esta reunião de celebração porque, como algumas pessoas dizem, e bem, fazemos parte de um imaginário positivo de muita gente. Eu também estou em crer que sim. E agora as coisas correram bem, portanto, pode acontecer esse regresso, não fechamos as portas, estamos todos bem resolvidos com as nossas histórias. Porque não?

DA – Como é que se deu esse salto do Miguel Gameiro cantor para o Miguel Gameiro cozinheiro?
MG – Foi do palco para a cozinha [risos]. Há muitos anos que gosto de cozinhar e que o faço em casa, para os amigos. Depois decidi perceber como é que, realmente, as coisas se faziam e há seis anos fiz um curso na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril. Tudo isto entre concertos. Eu ia com uns calhamaços enormes para estudar nos concertos e tinha que dizer à malta: “Estou a estudar culinária!” [risos] Ficava nos camarins a estudar com os termos, a batedeira, um tacho lá pelo meio [risos]. Depois fiz alguns estágios em restaurantes no Porto, no L’AND Vineyards e também no Guincho. Entretanto, surgiu a oportunidade de ir para Paris, estudar na escola de culinária do Alain Ducasse, que é alguém que percebe um bocadinho disto [risos] e lá fui eu. As coisas correram bem e acabei por fazer lá um estágio. Agora estou no Casino Estoril a fazer um jantar mensal no espaço nobre, onde fazemos uma degustação e depois convido alguns amigos meus, músicos, para umas canções a seguir, e estou a gostar muito de juntar as duas áreas.

DA – Não conheceste o Ratatui? [risos]
MG – Infelizmente não! Mas gostava de ter conhecido porque também faz parte do meu imaginário. Especialmente o crítico, o Ego, que está a comer e a gerar imagens, e é isso que se passa. Quando se fala na história do Ratatui lembro-me sempre da minha rica avó que fazia umas lulas recheadas que eu nunca mais comi, umas lulas pequeninas, super saborosas, recheadas com muito trabalho e um puré fantástico. E eu, chegava à porta de casa, cheirava-me a lulas e estava a minha avó a cantar o fado. Oh pah… isto são memórias que ficam…

Daniela Azevedo

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