Cavaliers of Fun sobre a tecnologia na música: «O objeto tornou-se difícil de arrumar, enquanto que o streaming está sempre no mesmo sítio»

Cavaliers of Fun ou os refugiados da galáxia Glokie

Quem ainda não ouviu falar de Cavaliers of Fun ponha a mão no ar! Não, tu puseste, mas não é o caso porque, de certeza, já ouviste o som deles, só não sabias que era… deles!

Tudo começou em 2009, em Londres, onde Ricco Vitali, o percursor da banda, se atreveu a desenvolver aquilo a que chamou de “pop tropical futurista”, «embalado por baixos saltitantes e arpeggios italo-disco que nos fazem respirar», descrevem os Cavaliers of Fun. A ele, juntou-se, mais tarde, Miguel Nicolau, o outro rosto da dupla. Deixaram o Reino Unido e, em 2011, já estão em Lisboa para lançarem o primeiro EP, “Sharing Space Secrets”, que consideram uma espécie de manual de sobrevivência cósmica. Nunca experimentaram viver noutro planeta? Eles se calhar já 🙂

“Camp Cof”, o segundo EP dos Cavaliers of Fun, saiu em 2013, no mesmo ano em que fizeram a primeira parte do espetáculo dos Imagine Dragons em Portugal, no Coliseu de Lisboa. E pronto, começaram a surgir os convites para tocarem no Moroder, de Madrid, no Razzmatazz, de Barcelona, na Sala López, de Saragoça, no Musicbox, em Lisboa e ainda por festivais como o NOS Alive, BBK Bilbao, Spiritfest ou Festins.

No ano passado a formação venceu a segunda edição do concurso EDP Live Bands e gravou “Astral Division”, o seu primeiro álbum, com dez músicas, que já está à venda para um verão ainda com mais gargalhadas. «É mais ou menos assim como olhar para as estrelas e procurar um lugar no cosmos, uma galáxia secreta, uma missão. Porque tudo é possível nesta viagem, de mãos dadas com a imaginação, onde a canção não tem morada», resumem eles. Mas há vontade de saber mais. Ou pelo menos, o que eles deixaram saber 🙂 ‘Wildfire’ está mais abaixo para se ouvir.

Daniela Azevedo – “Astral Division” é o vosso álbum de estreia. Em que estilo de música se traduziu esta “divisão astral”? De que falam as canções?
Cavaliers of Fun – A divisão astral é uma organização que tem conhecimento de seres de outras galáxias e usa os seus recursos para os integrar nas sociedades terrestres. Nós enquanto COF somos refugiados da galáxia Glokie e se não fosse a Astral Division seriamos recolhedores de lixo cósmico em Tripox. Correu bem para nós mas nem sempre acontece. Temos um primo que esfrega ranço de Yukkis. Não queiram saber o que é um Yukki. Mesmo.

DA – O álbum tem lançamento físico ou só online?
COF – Físico nas lojas especializadas e online nas lojas digitais e plataformas de streaming. Em Melmac está também em formato vapor.

DA – Esta semana a academia dos Grammys decidiu passar a premiar os álbuns que tenham apenas edição online e em streaming. Concordam com a novidade?
COF – Concordamos pois é a realidade em que vivemos. O objeto tornou-se difícil de arrumar, enquanto que o streaming está arrumado sempre no mesmo sítio e está à distância de um clic.

DA – Como foi o processo de produção do vosso disco?
COF – Demorou 345 anos. Começou no século XVIII quando éramos trovadores numa corte romena. As composições começaram a ganhar forma mas foi apenas em 1943 que acabámos as letras do disco. De 43 a 81 gravámos guitarras e baixos. De 81 até agora estivemos em estúdio com o Meatloaf. Correu bem e o resultado está aí à vista de todos.

DA – O vosso verão vai ser a trabalhar ou a curtir a praia? Onde vão atuar?
COF – O nosso corpo composto de 54 membranas não nos permite apanhar sol. Resta trabalhar. Vamos fazer uma tour intergaláctica com os Drifting in Outer Space The Solo Pod Experience (DOSSPE). Começa em agosto e acaba em dezembro de 2114. Curtição!

DA – Vencer o EDP Live Bands foi o vosso momento alto de carreira até agora?
COF – Foi. Mas houve aquela vez em que fumamos um cigarro com o Cliff Richard em Vale de Lobo. Está taco a taco.

DA – Quem foi a vossa grande inspiração dos anos 80?
COF – David Hasselhoff. The Hoff. Um pai, um mentor, uma inspiração. Nunca ninguém irá usar calções tão bem como ele. Nunca ninguém. Nunca. Sem David não teriam existido calções… nem tão pouco a cor encarnada. Uma cor muito em desuso nos anos 80. Recuperada por este ser superior. Este vigilante das boas práticas e dos óptimos costumes. Sem David não existiria nada.

Daniela Azevedo

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