Germano Veiga sobre o português Stamina: «O termo robô ainda tem um peso grande»

O Stamina regressou no passado fim-de-semana de Munique, na Alemanha, onde representou Portugal na Automatica – uma feira de robótica industrial que decorreu em Munique, Alemanha. O Stamina é um robô desenvolvido em Portugal e que pretende automatizar a tarefa de picking, uma espécie de ida às compras nos armazéns que acontece muito nas linhas de montagem de automóveis. O robô com “sangue luso” pretende melhorar a organização na produção e armazenamento de componentes na indústria automóvel. Segundo o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), entidade portuguesa envolvida no desenvolvimento do Stamina, o objetivo é melhorar os índices de automação abaixo dos 30% que se registam de momento no setor automóvel e em relação a estas operações em particular.

Foi há quatro anos que sete instituições se juntaram para criar o Stamina, num projeto europeu que envolve cinco milhões de euros de investimento por parte do 7.º Programa-Quadro da União Europeia. São elas o portuense INESC TEC e também as universidades de Aalborg (Dinamarca), Freiburg (Alemanha), Bonn (Alemanha) e Heriot-Watt (Escócia), apoiadas pela empresas francesas BA Systèmes e PSA Peugeot Citröen. O fim do desenvolvimento está previsto para março de 2017 e a tecnologia encontra-se no laboratório de robótica que o INESC TEC tem na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

E saber da existência de um robô com alma lusitana a prometer mudar a indústria automóvel, só podia resultar numa interessante conversa, seguramente a aprofundar, com o eng.º Germano Veiga, um dos investigadores responsáveis pela criação do Stamina, e membro do Centro de Robótica Industrial e Sistemas Inteligentes do INESC TEC.

Como é que o Germano reage quando lhe dizem que este tipo de robôs está a acabar com o emprego tradicional?
GV – [risos] Vou começar por dar o exemplo da PSA Peugeot Citröen. Este robô específico vai começar por ser usado em França e nas fábricas da Europa, de um modo geral. Na fábrica francesa, que tem uma estrutura já antiga, os responsáveis dizem que, ou se arranja uma solução deste tipo, ou a fábrica terá de fechar porque, hoje em dia, pelo baixo custo de um automóvel, não é possível investir numa nova fábrica na Europa. Se o grupo o fizer, vai fazê-lo na Ásia. Ou seja, o robô é uma necessidade para manter os empregos que já existem porque a competitividade destas fábricas é reduzida. Numa perspetiva mais geral, os robôs não roubam assim tanto emprego. Há uns três ou quatro milhões de robôs no mundo todo. Há alguns, como as máquinas de lavar a roupa ou de café, que, esses sim, tiveram um maior impacto no emprego. Há cinco ou seis milhões de máquinas de vending só no Japão e essas é que roubam emprego. Mas o termo robô ainda tem um peso grande. A máquina de café, mesmo que esteja a substituir alguém, não a vemos como um robô. Mesmo dentro da estrutura produtiva de uma fábrica, pegar em peças de 12 ou 15 quilos é uma tarefa muito pesada e as pessoas se estiverem livres de fazer tal coisa podem até aumentar a sua produtividade dentro da PSA e, logo, a competitividade da empresa…

Germano Veiga acompanhou o Stamina
Germano Veiga acompanhou o Stamina

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