Palma e Godinho: os comparsas de uma vida juntos e felizes em palco

Dois grandes senhores da música portuguesa, duas noites de Coliseu dos Recreios, duas horas de concerto e 40 anos de amizade para celebrar. A mistura resultou num espetáculo que, a 25 e 26 de fevereiro, mergulhou o Coliseu de Lisboa na cultura de duas das mais fortes figuras do nosso panorama musical. Já tinha tido a sorte de os ver na edição do ano passado do Super Bock Super Rock, pelo que já sabia, de antemão, que ia ter uma boa noite de música.

Sérgio Godinho trouxe na sua interpretação as influências dos também “companheiros de luta” Fausto e José Mário Branco. Jorge Palma carrega o peso do blues aligeirado pela sua risada e pelas suas private jokes que, queira-se ou não, acabam por nos fazer rir mesmo que não as percebamos inteiramente. O espetáculo mistura o repertório de Palma e Godinho e o desafio (para eles) traduz-se em grande gozo e exercício mental (para nós) a cada música, bem conhecida, que ouvimos, mas com o intérprete trocado.

Jorge Palma e Sérgio Godinho no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 25 de fevereiro de 2016, fotografados por Francisco Morais
Jorge Palma e Sérgio Godinho no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 25 de fevereiro de 2016, fotografados por Francisco Morais

‘Lá em Baixo’, de 1979, e ‘As Horas Extraordinárias’, ambas de Godinho, abriram o concerto, bastante simples no que concerne à decoração de palco, e muito focado nos dois homens-fortes que encheram a sala da capital. «Horas extraordinárias é o que vamos fazer aqui hoje; pelo menos umas duas horas extraordinárias vai ser», apresenta Godinho numa das primeiras vezes em que se dirige ao público.

Palma continua a ter aquela atitude de miúdo irreverente que olha com admiração para o seu “mestre” e a solenidade desses momentos fica bem patente no respeito mútuo que trespassa a cada letra de ‘Só’ e ‘O Lado Errado da Noite’, de 1985, a retratar um serão no qual Jorge Palma poderá ter sido o ombro amigo da “Amélia de coração desfeito”. O músico está muito bem, a tocar com uma destreza única as teclas do piano com que “brinca” maravilhosamente, e com uma prestação sem mácula…

Mais em: Musicfest – O cartaz dos festivais de música

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