Maria Gadú e Portugal alimentam paixão mútua

Maria Gadú no CCB, em Lisboa, a 4 de março de 2016, fotografada por Marta Ribeiro

O regresso de Maria Gadú a Portugal era muito desejado na medida em que, depois de ter sido adiado, o concerto no Centro Cultural de Belém estava envolto em muita expectativa. E justificava-se. Comecei a ouvir a cantora quando estourou a canção ‘Shimbalaiê’, estando eu, na altura, em antena numa estação de rádio dedicada à música romântica. Sabia que Gadu estava diferente mas quis saber como e quanto.

Ao terceiro álbum e com a chegada dos 30 anos, Maria Gadú parece estar a fazer uma viragem na sua orientação musical para se dedicar às sonoridades que, aparentemente, sempre gostou e que estão a fazer dela um dos nomes de referência da música brasileira da atualidade. Com menos violão e mais guitarra elétrica e bateria, a artista continua a fazer as delícias dos fãs portugueses com as letras que, em certos momentos, se aproximam mais da poesia dita do que propriamente da canção melodiosa. Não é por acaso que o mais recente disco tem influências tão variadas que vão de Caetano Veloso a Björk. Mas o cenário mental que nos cria, esse, assegura que o seu nome está definitivamente implantado entre nós.

Maria Gadú no CCB, em Lisboa, a 4 de março de 2016, fotografada por Marta Ribeiro
Maria Gadú no CCB, em Lisboa, a 4 de março de 2016, fotografada por Marta Ribeiro

O bem conhecido ‘Tudo Diferente’ é cantarolado pelo público e mistura-se com o mais recente ‘Tecnopapiro’ e ‘Ne Me Quitte Pas’, de Jacques Brel, novamente a mostrar uma exibição espetacular de Puppi num violoncelo pesado, duro, num som quase medieval, e volta a deixar Maria Gadú com os olhos brilhantes em nova confissão: «Naquele tempo em que estive doente, em que quase perdi a voz e deixei de fumar, cantava esta canção só para a Lua (n.r.: esposa de Maria Gadú). É uma alegria muito grande ter conseguido executá-la bem aqui».

“Guelã” significa gaivota e talvez tenha sido por isso que sentimos que o tempo do concerto passou a voar. O encore traz-nos ‘Dona Cila’, ‘Semi Voz’ e, apesar de ter advertido que não a ia cantar, Maria Gadú lá cedeu ao “bis” e acabou por interpretar o tema que a catapultou para o sucesso, embora se queira desmarcar dessa canção que compôs aos dez anos de idade: ‘Shimbalaiê’, já com o Centro Cultural de Belém todo em pé e um grupo de fãs a correrem para junto do palco para tocarem e abraçarem a sua artista de eleição que não se escusa a retribuir as atenções…

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