Caelum’s Edge: «A nossa música é para sentir; não apenas para ouvir»

Caelum's Edge 2016

Foi em 2014 que os Caelum’s Edge, venceram a primeira edição do concurso EDP Live Bands. O prémio, um álbum lançado com a chancela da Sony Music, chama-se “Enigma” e vai ser apresentado ao vivo na próxima quinta-feira, dia 11, no palco do Popular Alvalade, num concerto com entrada livre.

Os Caelum’s Edge nasceram no Barreiro, em 2012, com uma formação diferente da que hoje sobe aos palcos. O nome da banda fica aberto à interpretação já que Caelum significa “céu”, em latim, e Edge significa “limite” em inglês. Nesse ano, o projeto lançou o seu primeiro EP, “New World”, conquistou o 2.º lugar ao nível nacional do Hard Rock Rising Competition 2013 e, de seguida, passou por grandes palcos nacionais como o Optimus Alive 2013 e 2014, Hard Club, no Porto, e Rock no Rio Sado.

Enigma é um disco com canções em português e inglês que ditam um futuro auspicioso para a carreira de Pedro Correia (voz e guitarra), Diogo Costa (guitarra e teclado), José Ganchinho (baixo) e Diogo Lopes (bateria). Além de tudo isto, ainda são muito descontraídos e bem humorados. ‘O Jogo’ é um dos temas cantados em português que podes ouvir no final da entrevista.

Os Caelum's Edge, em Lisboa, a 5 de fevereiro de 2016
Os Caelum’s Edge, em Lisboa, a 5 de fevereiro de 2016

Daniela Azevedo – Em 2014 vocês venceram o EDP Live Bands e a 29 de janeiro de 2016 chegar às lojas o vosso álbum de estreia lançado pela Sony. Como foi o percurso até aqui?
Pedro Correia – Foi uma experiência ótima que nos fez crescer como pessoas e como banda. Vencer o concurso abriu-nos muitas portas e fez-nos acreditar mais no projeto. Estamos a adorar e queremos que se mantenha assim.

DA – O que encontramos em “Enigma”?
PC – Encontramos rock espacial, que é o rock que se toca na lua ou em Marte! [risos] Ouvem-se guitarras experimentais e sintetizadores, que os Pink Floyd também usavam, e também nos identificamos com a temática do espaço e ficção científica, daí que tenhamos arriscado space rock. A nossa música é para sentir; não apenas para ouvir. No álbum tentámos mostrar um pouco de nós, da nossa identidade, e tentámos inovar ao incluir três temas em português, para chegarmos a um público mais vasto. Nós cantávamos sempre em inglês. Agora estamos com os pés mais assentes na terra.

DA – Como eram as vossas vidas antes de ganharem o concurso?
Diogo Lopes – Eram mais tranquilas, sem dúvida. Agora estamos noite e dia a pensar e a trabalhar neste projeto porque, de facto, não chega tocar bem e conseguir vingar. O que há mais em Portugal são bons músicos e boas bandas, por isso temos que trabalhar diariamente para nos conseguirmos destacar neste meio.

DA – A formação musical que tinham antes do “salto” era suficiente para a projeção que agora começam a ter?
José Ganchinho – Alguns de nós sim, tínhamos já bastante formação. Eu sou o elemento mais recente da banda e antes de tocar com os Caelum’s Edge já achava que eles tinham muito boa qualidade. Este primeiro álbum está muito agradável de se ouvir.

DA – E como é que te juntaste a eles?
JG – Eu conheci-os por causa do concurso. Ouvi e gostei bastante, nem pareciam portugueses. Fui vê-los na página de Facebook e percebi que eu e o Diogo Lopes tínhamos alguns trabalhos como freelancer. Conhecemo-nos, o Diogo disse que estavam prestes a gravar o álbum com a Sony e eu disse-lhe que se precisassem de um baixista fixo, porque eu sou um homem de palavra [risos], podiam contar comigo. Passado um mês estava na banda.
DL – Sim, sim, quando saírem as fotografias do concerto já são com outro baixista! [risos].

Caelum's Edge 2016
Caelum’s Edge 2016

DA – Quais são as melhores memórias que guardam dos vossos tempos de “banda de garagem”?
Diogo Costa – Nós temos a mesma química e praticamente o mesmo método de trabalho que tínhamos dantes. O que agora acontece é que acreditamos mais e levamos tudo mais a sério. Queríamos muito viver disto, do nosso projeto.
DL – Essa fase da garagem é imprescindível a qualquer banda que cresça por vontade própria. Grandes bandas como os Nirvana ou Foo Fighters, por exemplo, cresceram desde a garagem até se fazerem ouvir e é isso que tentamos fazer enquanto quisermos viver da música.

DA – Mas vocês, só no ano passado, já deram cerca de 40 concertos. Isso já é viver da música…
DL – Isso é sofrer pela música! [risos] Qualquer biografia das grandes bandas diz que uma carreira no rock se faz com muita estrada. E tem de haver uma grande harmonia entre o grupo.
PC – É ambicionar viver da música. Quando se acredita e se quer que as coisas andem para a frente tem de ser assim.
JG – Neste percurso não há nada melhor do que partilharmos o palco. Os concertos dão-nos uma bagagem muita boa, é diferente dos ensaios.
DC – Tivemos um ano em que as nossas folgas eram para dar concertos. E estivemos até a morar juntos.

DA – Quem vos ajudou mais nessa fase?
JG – Temos que agradecer aos nossos produtores, o Filipe Oliveira e o Vasco Ramos, dos More Than a Thousand, que foram muito importantes para nós. Os dois deram-nos uma grande contribuição, um grande apoio para o que devíamos, ou não, fazer.

DA – O que podemos esperar do concerto de dia 11?
PC – O espaço é pequenino por isso vai ser bom porque estamos muito próximos do público e transmite-se mais facilmente o que nós queremos.
DL – Um dos concertos que mais gostámos foi n’Os Penicheiros, na nossa terra, no Barreiro, precisamente porque é um sítio pequeno e estava a abarrotar.

DA – O que acham que faz de uma banda uma grande banda?
DC – A união e um grande apoio por detrás.
JG – A harmonia e amizade entre o grupo.
DL – Acho que é o acordar todos os dias a pensar nela. É como uma namorada! [risos]
PC – É o trabalho. A sorte procura-se e nós temos que trabalhar para termos a sorte de chegar mais longe.

Daniela Azevedo

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