Musical “Mamma Mia!”: há sempre Abba entre nós

O musical “Mamma Mia!” dos Abba está em Lisboa, no Campo Pequeno, até ao próximo domingo, dia 24. Os bilhetes não são propriamente baratos (entre os 20 e os 45 euros) mas para quem não passa muito tempo sem Abba na sua vida, esta é mais uma ótima oportunidade para borrar a maquilhagem e sorrir com aquela satisfação quase egoísta de conseguir adivinhar toda uma canção só pelos primeiros três segundos de acordes.

Um elenco de 60 artistas integra o musical que já foi visto em todo o mundo por mais de 60 milhões de espectadores. A história, escrita por Catherine Johnson, não é nova para os fãs: Sophie, que vive com a mãe numa paradisíaca ilha grega, vai casar-se e procura, no diário da progenitora, segredos escondidos que a levem até ao seu pai biológico que nunca conheceu. A cumprir-se o ditado “não há fome que não dê em fartura”, a jovem, de 20 anos, acaba por se ver confrontada com três possíveis pais num desassossego que ganha contornos poéticos graças às eternamente maravilhosas músicas do grupo sueco.

Meryl Streep, em 2008, ajudou a popularizar a história em versão Hollywood mas “Mamma Mia!” – o musical estreou no londrino West End, em 1999, e em 2001 na Broadway, em Nova Iorque, sendo um dos cinco musicais que há mais de dez anos é representado, em simultâneo, nas duas “capitais” do teatro.

Então, se tudo está ouvido, visto e contado, qual é o segredo por detrás da magia que continuamos a ver acontecer diante dos nossos olhos? Provavelmente tem tudo a ver com aquele je ne sais quoi que os Abba conseguiram semear nos corações mais sensíveis de Seres Humanos de todas as idades. No Campo Pequeno, tanto se podem ver casais na casa dos 30/40 anos, como a geração dos seus pais ou até mesmo a dos seus filhos. A história é acessível e facilmente entendível por todas as gerações. Se uma acaba por concordar que aos 20 anos ainda é muito cedo para assumir um casamento e que essa esperança pode, apenas, ser adiada, os menos jovens vão dar por si a piscar o olho à cara metade quando, também eles, se recordarem do “dot dot dot” das noites de verão nas décadas de 70 e 80 e se deixarem levar pelo descomprometimento que umas férias na paradisíaca Grécia sugere.

No final do espetáculo, que é todo visto com o público sentado, o elenco de “Mamma Mia” protagoniza alguns momentos musicais que permitem alguma descontração e aplausos fortes que ficaram contidos durante os dois atos. ‘Voulez-Vous’, ‘Money Money Money’, ‘Does Your Mother Know’, ‘Take a Chance on Me’, ou ‘Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)’ protagonizam os momentos mais alegres. Os Abba serão, muito provavelmente, das poucas bandas que nos conseguem fazer passar da criatura mais contente e espontânea, à mais miserável e profundamente deprimida apenas numa transição de faixa. No outro extremo estão ‘The Winner Takes It All’, ‘Knowning Me Knowing You’, ‘Chiquitita’, ‘Our Last Summer’ e ‘Slipping Through My Fingers’ capazes de fazerem chorar homens maduros e que foram à tropa. Vá lá Benny Andersson, Anni-Frid, Björn, Agnetha… vocês tinham que ser mauzinhos, mentes torcidas, para nos fazerem querer arrancar o coração desta maneira, certo!?

‘Mamma Mia’, claro, é cantado em uníssono e o não menos divertido ‘Dancing Queen’, com o público a aprender a fazer o gesto de uma pá a abrir um buraco com «… diggin’ the Dancing Queen».

Musical "Mamma Mia" dos Abba no Campo Pequeno, em Lisboa, janeiro de 2016
Musical “Mamma Mia” dos Abba no Campo Pequeno, em Lisboa, janeiro de 2016

Fica, abaixo, o trailer do musical. O elenco que aqui vemos não é o que está em Lisboa mas o guarda-roupa e o cenário são exatamente estes.

Daniela Azevedo

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