Pablo Alborán deixa o Meo Arena ‘nas nuvens’

Pablo Alborán no Meo Arena, Lisboa, a 23 de maio de 2015, fotografado por Nuno Fontinha

Para quem já gosta de música espanhola, Pablo Alborán apresenta-se como um excelente representante da dita tal como outros nomes sonantes do país vizinho como Julio Iglesias ou, mais recentemente, David Bisbal, por exemplo. A crítica tem-no apontado mesmo como o “futuro” da música espanhola.

Perante um Meo Arena repleto de fãs, Pablo Alborán estreou-se na sala reservada a artistas consagrados e mostrou-se numa nova atitude mais pop, mais descontraída, mas sempre fiel à raiz Andaluz que não o larga. O concerto desta noite pode praticamente ser dividido em duas partes: uma primeira, com o álbum novo, “Terral”, a ser cantado na quase totalidade, e uma segunda, com os temas que bem conhecemos a permitirem uma maior e mais natural interacção com o público. ‘Está Permitido’, ‘La Escalera’, ‘Pasos de Cero’, ‘Ecos’, ‘Quimera’ e ‘Un Buen Amor’ foram, por esta ordem, os exemplos de como enfrentar com confiança o público do Meo Arena só com os registos mais recentes. E correu bem porque afinal se “Terral” é o nome dado ao vento quente que vem de Málaga, da terra, em direcção ao mar, Pablo Alborán também é um temporal de calor que entrega surpresas a cada canção que nos oferece.

A passagem para o segundo álbum, “Tanto”, de 2012 faz-se com ‘Quien’ e logo depois voltamos ao álbum de estreia do cantor malaguenho, homónimo, com o animado ‘Caramelo’. O artista, de apenas 25 anos, canta com tremendo sentimento e apanha-nos com o sorriso que mantém durante toda a noite. Ainda assim, as músicas de 2011 e 2012 são as mais populares do seu reportório. E se os fãs já estavam encantados, com ‘Perdóname’ a loucura traduz-se em sonoras palmas que, por momentos, conseguem sobrepor-se à voz da “convidada-pouco-surpresa” Carminho que ainda traz fado à noite com ‘Fado do Silêncio’ ou ‘Alfama’, como também é conhecido. Segue Pablo Alborán com ‘El Ovido’, novamente do álbum de Novembro do ano passado, ‘Miedo’ e ‘Beso’. Durante o concerto, o artista tocou boa parte dos instrumentos que estavam em palco, mostrando que a música não é algo que leve “pela rama”.

Por esta altura, e apesar de ser sábado à noite, é quase impossível não fechar os olhos e sentir que esta é uma bela música para se ouvir ao fim de um dia de cansaço extremo. Sem ser lamechas, Pablo Alborán canta o amor nas mais diversas cores que vai assumido na paleta da vida. ‘Donde Está El Amor’ é o exemplo perfeito de uma paixão que de tanto queimar terá ardido cedo demais.

A composição das canções de Pablo Alborán está acima da média e a sua musicalidade brilha através da bonita figura que exibe e que faz os corações femininos, em maioria na plateia, estremecerem mal se apresenta em palco. Compor, tocar e cantar as suas próprias músicas é algo que nos permite ver, à transparência, o quão sentimental e apaixonado Alborán consegue ser. Há mesmo quem diga que ao vivo toda esta miscelânea ainda vale mais. Sem dúvida que ganha uma envolvência maior, como se cada palavra fosse dita, cantada e interpretada, especialmente para nós, o que se torna hipnotizante.

Na recta final, e exemplo de que também consegue ser dinâmico, Pablo Alborán dança e muda o ritmo para ‘Volver a Empezar’. «Agora vem uma canção que prometi cantar sempre que vier a Portugal», anuncia Alborán e, quem o segue desde os primeiros concertos, já sabe que é tempo de ‘Saudades do Brasil em Portugal’, de Alain Oulmain e Vinicius de Moraes. Ouvem-se ‘Por Fin’ e ‘Gracias’ quando as filas da frente se levantam e empunham cartazes em vermelho, verde e amarelo onde se lê “Obrigada” e “Gracias”. Emocionado, Pablo Alborán não se cansa de agradecer até aos últimos acordes de ‘Despídete’.

Com oito nomeações para os Grammy latinos, Alborán tem mais de 5,6 milhões de seguidores nas redes sociais e, segundo a promotora, foi o artista que mais vendeu em Espanha de 2011 a 2013. O concerto desta noite só veio provar o porquê de tantos recordes.

Pablo Alborán no Meo Arena, Lisboa, a 23 de maio de 2015, fotografado por Nuno Fontinha
Pablo Alborán no Meo Arena, Lisboa, a 23 de maio de 2015, fotografado por Nuno Fontinha

Trabalho feito por Daniela Azevedo para o extinto site do grupo Media Capital Rádios: Cotonete – Música e Rádios Online  

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