O que acontece na ressaca do RiR? 5 concertos para recordar

O festival Rock in Rio-Lisboa, que começou no sábado, 23 de junho, no parque da Bela Vista, em Lisboa, voltou a mostrar o porquê de ser um dos mais populares e seguros festivais de verão, apesar da sua periodicidade bienal.

Da área de imprensa ao Pop District, do palco Mundo à EDP Rock Street, tudo continua a funcionar em harmonia com o espírito alegre e descontraído que se procura num festival desta dimensão e com estas características.

A 8.ª edição do RiR teve impacto em 5,8 milhões de indivíduos que, em Portugal, assistiram às transmissões televisivas e cobertura web do festival.

Durante os quatro dias de evento, a Marktest inquiriu 405 elementos do público e os resultados indicam que 95% dos festivaleiros atribuiu nota máxima a esta edição, enquanto 70% tem intenção de marcar presença na próxima edição. As redes sociais foram, também, um dos principais veículos de comunicação do festival, onde foram feitas 2.256 publicações com conteúdos dinâmicos no Facebook, Instagram e Twitter, bem como vários vídeos em direto durante os dias do evento, gerando cerca de 30 milhões de impactos. No Twitter, o Rock in Rio-Lisboa também esteve em destaque, tendo figurado por 21 vezes nos trending topics de Portugal. O site oficial do Rock in Rio-Lisboa atesta, igualmente, o sucesso da edição 2018: 1.252.813 visitantes únicos acederam ao site para acompanhar tudo o que se passava na Cidade do Rock.

N.º 5 – A 23 de junho, a Rock Street acolheu Bonga. Com tanta parafernália visual por parte das marcas, foi um alívio voltar às origens e assistir ao concerto do músico, onde todo o “barulho” se fez por uma bailarina com roupas desprovidas, também elas, de grandes efeitos modernos. O angolano, em muito boa forma, pôs toda a gente a mexer ao som dos seus clássicos como ‘Mariquinha’, já de 1996, ‘Galinha Kassafa’, e o incontornável ‘Kanjica’ que foram um bilhete para uma Angola verdadeira a que o público se entregou. E o cantor devolveu essa entrega: “Tenho uma coisa para vos contar… Mulher é fogo!”, brincou, pelo meio de outras intervenções bem marotas que puseram o público a rir. Bonga é assim: sempre próximo dos fãs.

Bailarina de Bonga - Foto - Agência Zero
Bailarina de Bonga – Foto – Agência Zero

N.º 4 – No mesmo dia (já feito noite) e no Music Valley, a vibe era a da incrível Da Chick que deu espetáculo com a sua Foxy Band. Teresa Sousa foi acompanhada em palco por Gui Salgueiro (teclas), Pestana (baixo), Ariel (bateria), Sandro (trompete), Dinis (saxo), Cavalo (bombardino) e Mike El Nice (Mc/Host).

Como seria de esperar, o seu louco funk de inspiração nova-iorquina encheu o palco e arredores, até porque a groovy girl não deixava ninguém escapar e não raras vezes parava o concerto para chamar “essa malta cá para a frente”. Um nadinha provocadora, relaxada e moderna, Da Chick entregou-se por completo em temas como ‘Call Me Foxy’ ou ‘Cocktail’. Ficou a faltar ‘Do Tha Clap’ mas não faltaram coreografias espontâneas entre os fãs.

N.º 3 – No dia 29 de junho os James trouxeram-nos um dos concertos mais emocionantes que este Rock in Rio podia incluir no palco Mundo. Com a chuva a cair, o público não era muito, o que ainda tornou mais especial ter visto toda a gente a cantar, em comunhão, os seus maiores sucessos. Um desses momentos foi ao som de ‘Sit Down or Bells’.

Diz quem fez as contas, que já são mais de 30 os concertos que os britânicos deram em Portugal ao longo de 20 anos. Ainda assim, houve espaço para o álbum novo, “Living in Extraordinary Times”, que só será lançado em agosto, e do qual foram apresentadas canções como ‘Hank’, ‘Heads’ ou ‘Many Faces’.

O vocalista Tim Booth mantém aquela aura de guia espiritual que nos eleva a alma e deixa com um sorriso na cara quando se lança a nós em crowdsurfing como habitualmente faz. Ao mesmo tempo ouvia-se ‘Getting Away’. Já na reta final do concerto escutámos ‘Laid’, quando começaram os lamentáveis problemas de som, aos quais a banda seria completamente alheia, mas que mancharam um pouco a atuação. “Alguém pode arranjar isto?”, pedia, insistentemente, Tim Booth, sem que ninguém parecesse ouvi-lo. Cantou ‘Sometimes’ e nós cantámos por ele o que não se conseguia ouvir do palco. Saul Davies levantou-se quando a música parou, envergando uma t-shirt onde se lia “Fuck Brexit”.

James no Rock in Rio-Lisboa 2018 - Foto - Agência Zero
James no Rock in Rio-Lisboa 2018 – Foto – Agência Zero

N.º 2 – 24 de junho, Palco Mundo e Bruno Mars a fazer-nos felizes da maneira que melhor sabe: a cantar e dançar. O cantor natural do Havai arrasou a cidade do rock com as músicas do mais recente álbum, “24K Magic”, mas sem ignorar os êxitos dos álbuns anteriores que são uma espécie de choque imediato nos fãs para mais saltos e gritos.

A alegria coletiva acontece com ‘Uptown Funk’, ‘The Lazy Song’, ‘That’s What I Like’, ’24K Magic’ e ‘Treasure’. Vive-se um ambiente de dança estilosa ao rubro – a de Bruno Mars é perfeita. E sensual como em ‘Versace On The Floor’ e ‘Finesse’ – tema que abriu o concerto. Bruno Mars é, sem dúvida, um dos melhores performers da sua geração.

No final, a espetacularidade atingiu o expoente máximo quando o Palco Mundo se encheu de fogos-de-artifício, não só por fora, mas também dentro do próprio palco. Agora é vê-lo em nome próprio, pode ser? A ele e ao James Brown que vive dentro dele.

N.º 1 – Um dia antes, as Haim protagonizaram aquele que designo como “o” concerto do Rock in Rio-Lisboa 2018. Aqui também não houve grandes cenografias ou tecnologias em palco, pelo que este lado mais cru da música no RiR costuma correr muito bem. No caso de Danielle, Este e Alana Haim, são três irmãs californianas que esmagaram o público presente no Palco Mundo com uma atuação assombrosa de boa na qual nos presentearam com as suas canções pesadas de significado mas leves de melodia, nas quais têm vindo a trabalhar há meia dúzia de anos. Quando somos muito fãs de uma banda, como eu sou de Haim, foi puro deleite ouvi-las aqui e perceber que não há muitas artimanhas de estúdio e o álbum é muito parecido ao que se ouve ao vivo e a cores.

Há nelas um pózinho de Fleetwood Mac dos anos 70. Um cheirinho de Bangles e até um ar de Shania Twain, de quem são tão fãs que até fizeram uma versão de uma das suas canções.

Cada uma das irmãs Haim tem vários talentos, quer na voz, quer nos instrumentos e o público fica boquiaberto de cada vez que tal lhe é dado a confirmar seja em ritmos mais rock, mais r&b ou até mais country.

As Haim navegaram, neste RiR, pelos seus dois álbuns “Days Are Gone” e “Something to Tell You”. Jás músicas, atrevo-me a dizer que quase todas elas farão parte das nossas memórias deste verão e todas elas têm as suas assinaturas: ‘Falling’, ‘Little of Your Love’, ‘Ready for You’, ‘Want You Back’, ‘Nothing’s Wrong’, ‘Forever, The Wire’ ou ‘Right Now’.

Haim no Rock in Rio-Lisboa 2018 - Foto - Agência Zero
Haim no Rock in Rio-Lisboa 2018 – Foto – Agência Zero

Aqui fica um resumo da 8.ª edição do Rock in Rio-Lisboa em números:

  • 57 horas de música
  • 264 acts musicais/entretenimento
  • 18.999 pessoas andaram na Roda-gigante (das quais 7.906 foram reservadas através da solução Vodafone Smart Check-in)
  • 3.611 pessoas andaram no slide (das quais 1.459 foram reservadas através da solução Vodafone Smart Check-in)
  • 90.000 copos de Somersby consumidos
  • 360.000 copos de Super Bock consumidos
  • 62.500 copos de Pepsi consumidos
  • 55.000 sofás Vodafone distribuídos
  • 7 estruturas de carregamento de telemóveis, equivalentes a cerca de 750 pontos de energia
  • No dia 24 de junho (Bruno Mars) o tráfego de dados móveis na rede Vodafone igualou o volume registado em toda a edição de 2016. No total dos três primeiros dias da edição de 2018, este valor duplicou face aos cinco dias de festival em 2016.
Trabalho DanielaPress no Rock in Rio-Lisboa 2018
Trabalho DanielaPress no Rock in Rio-Lisboa 2018

Daniela Azevedo

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