Os Codfish sobre a formação do grupo: «Começámos ao contrário»

The Codfish Band

Codfish Band formou-se de forma totalmente atípica. No final de 2013, os amigos Miguel Ros Rio e Luís Miguel, guitarra e voz, Nuno Escabelado, no baixo, e Pedro Kystos, na bateria, decidiram juntar-se com a intenção de fazerem um presente de Natal para as respetivas famílias. Dotados de talento para a música, quase sem saberem como (fecharam-se em estúdio sem nunca terem tocado juntos) deram por eles a gravar um disco inteiro, só com uma simples referência natalícia. O tempo passou, lançaram os singles ‘Sweet Vision’, ‘Cursed By You’ e ‘Hit The Road’, que podes ouvir no final do texto, e em maio deste ano chegou o álbum “Devils Tongue”.

Ao ouvir estes três exemplos de «rock com sabor a rock», como os próprios dizem, tive curiosidade em saber que banda portuguesa é esta que sente e canta o rock em inglês e que… tem um humor inesgotável. O mesmo humor que os levou a escolherem o nome com base na fusão entre o símbolo da gastronomia portuguesa e o clássico, e tão português, aperto de mão – “Dá cá um bacalhau”!

Daniela Azevedo com Luís Miguel e Miguel Ros Rio em Lisboa
Daniela Azevedo com Luís Miguel e Miguel Ros Rio, em Lisboa

Daniela Azevedo – Vocês parecem-me ter uma história de formação completamente atípica porque se juntaram e gravaram um álbum antes de alguma vez terem experimentado tocar ao vivo. Querem contar-me como é que tudo começou?
Miguel Ros Rio – Eu e o baixista tínhamos guardadas algumas músicas há uns 20 anos. Depois, precisávamos de um baterista e, nessa altura, obriguei o meu irmão [baterista dos Tara Perdida] a vir tocar connosco. Ficou a faltar-nos um vocalista, por isso, como era amigo aqui do Luís, convidei-o. A ideia inicial era gravar essas músicas em formato CD, porque há 20 anos não havia dinheiro nem para gravar CDs nem em vinil. Começámos ao contrário porque a ideia era só oferecer o disco no Natal à família. O que aconteceu é que, quando entrámos em estúdio, começámos a cortar nas antigas e começaram a aparecer músicas novas.
Luís Miguel – Das antigas ficaram só umas três…

DA – E já que era para ser um presente de Natal, ficou alguma música temática?
MRR – Não [risos]. Depois tivémos que adaptar o ‘I Got a Feeling’. No vídeo pusemos umas luzes de Natal mas de Natal mesmo não houve nenhuma canção.

DA – Como é que chegaram ao nome do grupo?
MRR – Isso já foi mais difícil porque isto de arranjar um nome para uma banda é pior que arranjar um nome para um filho [risos]. Já havia tudo! Como a nossa ideia sempre foi cantar em inglês, queríamos arranjar um nome que, sendo em inglês, tivesse alguma coisa a ver com Portugal. Foi assim que começou a surgir o bacalhau, o codfish. Ainda por cima andavam por aí a Ana Bacalhau, os Mesa, os Azeitonas… parecia uma fase gastronómica [risos]! Portanto, se o bacalhau é de mil maneiras e a cozinha está na moda, ficou o codfish! E o “dá cá um bacalhau” é uma cena à antiga mesmo!

DA – Vocês acham que o rock, para ser à séria, tem de ser cantado em inglês?
LM – Acho que um rock mais puxado, mais pesado, tem de ser em inglês. O rock em português, ainda que tenha a mesma estrutura de acordes, não sai igual, a língua não permite, não tem “aquela” sonoridade. É como o fado… não sai capaz se for cantado em inglês ou o samba, que só soa bem em brasileiro. Os Xutos conseguiram criar um estilo só deles. Se cantarmos em português, parece que ficamos todos a soar a Xutos.

DA – O álbum “Devils Tongue” foi lançado digitalmente mas também em CD. É importante, ainda, ser lançado fisicamente?
MRR – Para nós é. Continua a ser um cartão de visita apesar de hoje em dia até já se conseguir ouvir em poucos lados. Comercialmente o CD já não vale nada mas, pelo menos, o primeiro disco fazemos questão que seja assim. É diferente do que nos darmos a conhecer com um álbum que “olha está ali, é digital”.

DA – Qual é, para vocês, a catedral do rock em Portugal onde gostavam mesmo de vir a tocar?
LM – O Coliseu dos Recreios, aqui em Lisboa.
MRR – A concentração motard de Faro. Acho que está lá o nosso público, acho que teríamos sucesso, gostava mesmo de lá tocar!

DA – De que falam as vossas músicas?
MRR – Basicamente as nossas letras são sobre mulheres, motas, velocidade e… mulheres! [risos]. Somos básicos nesse aspeto! O próximo álbum já vai trazer temas sobre álcool [gargalhadas]. Temos o ‘Mud Under The Sun’ que é sobre nos terem chamado de “trash” da Europa. Mas são apenas histórias, não necessariamente pessoais. A conceção do álbum foi tão rápida que as palavras não foram assim tão pensadas, tão inventadas.

DA – Já que há tantos temas sobre motas, digam-me que o motociclismo é um dos vossos hobbies…
MRR – Não, nenhum de nós tem mota! [risos] Por isso é que falamos delas, porque gostávamos de ter motas. Gostamos dessa tua onda motard, das tatuagens, mas nem isso temos [risos]. Sou até muito sensível, nem posso apanhar sol sem ficar logo todo marcado. Estamos a gostar muito de começar tudo de novo e viver esta aventura de ter uma banda. Tentamos dar o nosso melhor mas tentamos levar tudo numa onda ligeira. Não olhamos para a música de forma muito séria, como se fosse o nosso ganha-pão.

DA – Mas têm formação musical, certo?
MRR – Claro que não! [risos] Os nossos instrumentos são todos baratos, então pois se a gente não sabe mexer naquilo, é para estragar [gargalhadas]. Quem toca, toca em todo o lado.

DA – Vá, sugiram um tema para se ouvir numa destas noites quentes que ainda estamos a ter de verão… para se ouvir assim em andamento, com os vidros do carro abertos…
MRR – Acho que o ‘Hit The Road’. A malta tem é que ter cuidado e não começar a acelerar. Foi das últimas a integrar o álbum e acho que é das melhores.

*Para quem, tal como nós, perdeu concentração de Faro deste ano, ainda pode viver todo o espírito motard de 9 a 11 de setembro, na 17.ª concentração do Moto Clube de Mafra.

Daniela Azevedo

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