D’Alva em estúdio: «O património maior é a nossa mente e a nossa criatividade»

D'Alva na Tradiio

Os D’Alva têm estado a compor, gravar e produzir um tema novo, sempre em direto para quem os quiser ver. Sem letra ou composição pensadas, sem rede, sem nada preparado e com algumas “brancas” pelo meio.

A casa a partir de onde o livestream tem estado a ser transmitido é o escritório da Tradiio, em Lisboa, por onde passamos para testemunhar o andamento dos trabalhos.

Os D’Alva são dos artistas mais conceituados na aplicação de música Tradiio. O duo (às vezes trio porque, em palco, são muitas vezes acompanhados por Carolina Barreiro) tem vindo a espalhar uma sonoridade pop e dançável, por vezes a remeter para os anos 80, que tem sido distinguida pela sua atitude irreverente e descomplexada, longe dos rótulos que tipicamente o panorama português tende a colar aos músicos.

O disco de estreia, “#batequebate”, lançado há mais de dois anos, levou-os a passarem pelos palcos de festivais como o NOS Alive, o Super Bock Super Rock e o Sol da Caparica mas falta-lhes o Rock in Rio, como desabafaram nesta conversa que tivemos na Tradiio. Música + Internet + Reality TV? Sim, tirar partido do online em benefício da música está mesmo a acontecer.

D'Alva no escritório feito estúdio da Tradiio
D’Alva no escritório feito estúdio da Tradiio

Daniela Azevedo – Compor, gravar e produzir um single em direto parece-me algo muito inovador. Como é que vos surgiu esta ideia?
Ben Monteiro – Já tinha esta ideia com o Alex. Um dia estávamos a fazer uma canção e achámos que gostávamos de ter alguém a documentar o processo todo. Cada músico tem uma maneira muito particular de chegar ao resultado final e não há apenas uma maneira de fazer as coisas. Se nos puserem num estúdio convencional nós, felizmente, sabemos trabalhar dessa maneira mas muita coisa tem mudado com o advento dos computadores super compactos e super potentes que se tornaram numa ferramenta fundamental para qualquer músico. Há uma geração de músicos novos que pode estar a achar que não consegue fazer isto e, na verdade, até com um iPad já se pode fazer música. Queremos mostrar que há outra maneira válida de fazer as coisas. Esta é a nossa e queremos partilhá-la porque achamos que toda a gente sai a ganhar. Nós não queremos fechar portas a ninguém. O livestream tem um chat associado e todos os dias as pessoas nos fazem perguntas, está a ser uma experiência positiva.

DA – Até quando vão estar aqui a gravar ao vivo?
Alex D’Alva Teixeira – Sexta-feira [dia 22] é a data em que temos que fechar o single. É um desafio porque às vezes conseguimos fazer canções em três dias mas outras vezes pode demorar até um mês. Às vezes é preciso fazer pequenas pausas. Nessas alturas avisamos o pessoal no chat.

Basílio Vieira – O vosso livestream é mais uma masterclass do que um reality show?
BM – Se calhar. Na semana passada demos aqui uma entrevista e depois estivemos mais umas duas horas a falar livremente sobre música e sobre a indústria. Hoje, uma pessoa que estava a seguir-nos no chat perguntou-nos a quem é que devia enviar uma demo da sua música e eu dei a minha ideia de qual o caminho certo a tomar, portanto, tem sido um espaço muito aberto e muito positivo. O património maior é a nossa mente e a nossa criatividade.

DA – Não acham que estão a elevar muito a fasquia para os vossos colegas? Daqui para a frente todos nós vamos querer ver os nossos artistas favoritos a fazerem tudo ao vivo.
Alex – [risos] Não sei, não sei… mas gostava. Fico curioso com artistas tão distintos para saber como é o processo de cada um ou se algum o faz de forma semelhante à nossa.
BM – Há amigos nossos, músicos, que não dizem nada mas têm estado a ver tudo… está a ser interessante.

D'Alva na Tradiio
D’Alva na Tradiio

DA – O vosso álbum de estreia, o “#batequebate”, tem uma hashtag no título e vocês fazem questão de estar sempre a divulgar a #somosdalva. Têm uma preocupação especial pelos media sociais?
Alex – Acho que temos, especialmente na altura do primeiro disco, em que estávamos a começar a fazer coisas e sentimos a Internet muito presente no nosso dia-a-dia. Tão presente que tínhamos que a incluir na nossa música que é sobre o nosso quotidiano, por isso, é algo espontâneo, é natural.
BM – Depois as hashtags explodiram! A nossa manager diz que nós somos perspicazes mas acho que temos tido sorte porque já houve dois ou três passos que tomámos e, um mês ou dois depois, parece que tudo vai nessa direção. Mas não é nenhuma estratégia de marketing. Bate que bate é uma expressão rítmica e fonética, depois decidimos pô-la numa palavra só e, assim, tornou-se numa hashtag.

DA – No vosso dia-a-dia notam muito a vossa diferença de idades [dez anos]?
BM – Notamos mas vivemos bem com isso! [risos]
Alex – [risos] Aprendemos bastante um com o outro. Antes de fazermos o “#batequebate” o Ben produziu o meu primeiro EP e há muitas referências musicais que eu não tinha e o Ben me trouxe. Ele achava, por exemplo, que a minha voz ficava bem com os sintetizadores dos anos 80. Então, deu-me um TPC [risos] que era descobrir a música de Tina Turner, Gloria Estefan, Michael Jackson… uma série de referências pop que eu não tinha porque, para mim, pop eram as Spice Girls e Britney Spears.

DA – Como é que vocês se preparam para actuarem num grande festival ou numa sala mais pequena? Há diferenças?
Alex – É muito diferente. O público em Lisboa é diferente do público em Castelo Branco ou em Faro, por exemplo; as reações são diferentes, há pessoas que reagem mais a canções como o ‘Frescobol’, outras reagem bem a uma onda mais hip hop. Mesmo entre o Centro Cultural de Belém e o Tivoli houve diferenças; no CCB foi complicado porque eram lugares sentados…
BM – O Musicbox, por exemplo, é o mais confortável para nós. É mais fácil estabelecer uma ligação porque estão logo ali, à nossa frente. Em festival, é diferente, há grades e temos que chegar à milésima pessoa que está lá atrás e que também tem que sentir que faz parte daquilo. Aí o crédito é do Alex, que é um frontman que corre de um lado para o outro e puxa muito pelas pessoas. D’Alva tem sido uma aprendizagem em tempo recorde para nós. Mas posso dizer-te que gostamos muito de festivais maiores. A Carolina e ele têm uma grande química em palco.
Alex – Adorávamos ir ao Rock in Rio.

DA – Carolina, como tem sido cantar com eles?
Carolina Barreiro – Tem sido muito bom, das melhores experiências que já tive porque a música era para mim um hobby, eu sou designer de moda. A primeira vez que cantei profissionalmente foi com os D’Alva e estou a gostar muito. Eles só me tinham ouvido a cantar num coro.


Daniela Azevedo e Basílio Vieira

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