A frescura dos 56 de Madonna

Com 56 anos, Madonna continua a gerar controvérsia precisamente pela idade mas não deve ter razões para se preocupar

Foi debaixo de muita polémica que Madonna apresentou ao mundo o seu mais recente disco, “Rebel Heart”. Seguramente não por vontade da própria mas, antes do lançamento do CD, em Março, já a cantora tinha feito uma pré-venda de seis canções antes do Natal: ‘Living for Love’, ‘Devil Pray’, ‘Ghosttown’, ‘Unapologetic Bitch’, ‘Illuminati’, e ‘Bitch, I’m Madonna’. Todas as músicas entraram para o Top 10 do iTunes em Portugal. A decisão teve a ver com os hackers que, em Dezembro de 2014, começaram a fazer circular demos do futuro disco da rainha da pop que incendiou as redes sociais com as suas preocupações.

A pré-venda dos temas fez recear o pior mas a rainha da pop acabou por lançar um álbum com 19 faixas novas, nada de remisturas, numa obra onde não falta o “Parental Advisory” para conteúdo explícito. Como se o episódio não bastasse, Madonna ainda foi notícia pela aparatosa queda que deu durante a sua actuação na edição deste ano dos Brit Awards, precisamente durante a interpretação de ‘Living for Love’, o single que abre o álbum. Rainha como só ela, Madonna levantou-se, continuou a cantar e minutos depois já esboçava um sorriso. A canção é o convite perfeito para a audição do álbum inteiro.

O disco é todo ele de uma pop nova e fresca, com sonoridades actuais, se bem que 19 faixas podem ser um impedimento à tentativa de cumprir com o desígnio da diversidade a cada tema que se começa a ouvir.

Canções como ‘Holy Water’ e todo o seu intencional conteúdo erótico e muito bass a fazer vibrar as colunas de som, remetem-nos precisamente para os tempos de Madonna “Erotica”. ‘Devil Pray’, com produção de Avicii, tem uma sonoridade muito aproximada à das músicas de inspiração irlandesa. O reggae e a Jamaica dão ares de sua graça em ‘Unapologetic Bitch’, na qual Madonna consegue equilibrar bem a vulgaridade que o título sugere. ‘Ghosttown’, o bem escolhido segundo single a sair do álbum, e ‘Heartbreak City’ levantam-nos o ânimo para um patamar superior de virtudes. ‘Body Shop’ (publicidade à loja de produtos de beleza à parte), é a “inocente” música primaveril que, já a meio do CD (faixa 11) volta a obrigar-nos a focar atenções no que temos em escuta. Convém esclarecer que o conteúdo, a fazer referência ao carro como cenário de um envolvimento sexual, de inocente tem muito pouco. ‘Rebel Heart’, o tema que dá nome ao álbum, é o que fecha, quase em acústico, este 13.º trabalho de estúdio de Madonna.

Com 56 anos, Madonna continua a gerar controvérsia precisamente pela idade mas não deve ter razões para se preocupar
Com 56 anos, Madonna continua a gerar controvérsia precisamente pela idade mas não deve ter razões para se preocupar

Quanto às colaborações, o trabalho mostra os resultados de convidados como Nicki Minaj, em ‘Bitch I’m Madonna’, Chance The Rapper & Mike Tyson, em ‘Iconic’, Nas, em ‘Vedi Vidi Vici’ e Kanye West, em ‘Illuminati’.

O disco mistura conteúdo adulto e vivido com sonoridades típicas das pistas de dança de hoje em dia naquele que poderá ser um esforço de Madonna por se manter na posição de lendária figura, sempre actual, e sempre a ditar tendências. Se assim não fosse, a cantora não se tinha arreliado tanto com a direcção de antena da BBC Radio 1 que, na tentativa de manter um público entre os 15 e os 30 anos, eliminou a música de Madonna da playlist. Talvez não tenha sido a mais sábia das opções. À semelhança de outros discos de Madonna (como “Like a Virgin”, “Bedtime Stories” ou “Confessions on a Dance Floor”, por exemplo), o álbum é todo coerente na temática do título que, neste caso, assenta na rebeldia das emoções de um “Rebel Heart”.

Com 56 anos, Madonna continua a gerar controvérsia precisamente pela idade mas não deve ter razões para se preocupar. O disco é maroto, fala de drogas, de whisky, de corações feitos em 44 bocadinhos e alude a nomes da música que estão na berra. Não é nostálgico, não fala da experiência da maternidade nem encerra lamentos pelo passar dos anos. É Madonna sempre igual a si mesma.

Trabalho feito por Daniela Azevedo para o extinto site do grupo Media Capital Rádios: Cotonete – Música e Rádios Online

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