seBENTA sobre o álbum novo: «Foi composto em seis ensaios e gravado num fim-de-semana»

seBENTA apresentam o álbum Raio X de 2016

Amanhã, dia 18 de junho, volta a ser dia de festa para os seBENTA que vão apresentar o seu álbum novo, “Raio-X”, ao vivo, no Largo Camões, num espetáculo integrado no festival Faz Música Lisboa. A iniciativa regressa à cidade para celebrar a música nos espaços mais carismáticos de Lisboa em mais de 40 concertos.

Mais do que um novo álbum a acrescentar à biografia, “Raio-X” pretende mostrar o sentimento de união, paixão e entrega que os seBENTA têm ao vivo e que conseguiram captar em CD gravado de forma especial. No vídeo do tema “VIVE”, o single que apresenta o álbum, a banda conta com a participação de Zé Pedro (Xutos & Pontapés) e do mundialmente reconhecido surfista Garrett McNamara.

Já lá vai mais de uma década desde que os rockeiros se juntaram mas a simplicidade e boa disposição continuam a marcar qualquer conversa (que pode dar em coisa de tarde inteira), mesmo enquanto entre gargalhadas se acertavam os pormenores para mais um concerto de novidades. Abaixo temos o vídeo do single de apresentação do disco novo, ‘Vive’.

Daniela Azevedo com os seBENTA sobre o lançamento do álbum "Raio-X"
Daniela Azevedo com os seBENTA sobre o lançamento do álbum “Raio-X”

Daniela Azevedo – “Raio-X” é o título do vosso novo álbum. Escolheram este nome porque aqui fizeram uma auto-análise, olharam mais atentamente para vocês, ou tem outro significado?
Paulecas (vocalista) – Chamámos-lhe “Raio-X” exatamente por isso, porque quando queremos dar nome aos álbuns normalmente é isso que se faz: procurar a história que está implícita nas letras. Desta vez decidimos conjugar as coisas. Embora as letras falem da vida e do mundo em que vivemos, que não está bem e precisa de ficar melhor, “Raio-X” é o interior da banda, acho que define aquilo que os seBENTA sempre quiseram fazer. Gostamos muito de todos os nossos álbuns, são muito fixes, mas acho que este supera todos os outros, tanto ao nível da composição, produção, como do caminho que verdadeiramente queremos seguir e isso normalmente, em todas as bandas, demora anos a descobrir. Este álbum só se poderia chamar “Raio-X” porque foi ao interior de cada um de nós buscar o que de melhor poderíamos fazer. O álbum foi composto em seis ensaios e gravado num fim-de-semana. E fizemos isto de propósito! Podia ter corrido mal, podíamos não gostar das canções, mas partimos do zero, sem riffs, nem nada; havia quatro elementos que queriam fazer isto em seis ensaios e gravámos num fim-de-semana. Foi doloroso mas fizemos isto tudo com todos a tocar ao mesmo tempo, portanto, só se poderia chamar “Raio-X”.

DA – Isso de gravarem todos ao mesmo tempo dá muito trabalho, não é?
Paulecas – Dá, repara, quando um se engana… é voltar atrás! [risos] A composição já era a pré-produção, ou seja, imagina… estamos a compor uma música… ok, está fixe, está porreira e está a ser gravada. Quando decides gravar o álbum, na verdade não tens dez canções na cabeça, tens mais ou menos, então tínhamos que ouvi-las do princípio ao fim, agarrar no groove que tínhamos conseguido na sala de ensaios, e assim foi. Mas não foi fácil, não, aliás, na última música já estávamos a rebentar pelas costuras! [risos]
Ricardo Galrão (guitarrista) – Não foi fácil mas é sempre especial gravar assim porque se consegue algo muito mais genuíno do que se gravares por pistas e com tempo para remendar, acertar, pôr tudo bonitinho… dessa maneira sujeitas-te a ter um disco parecido a todos os outros. Neste caso ficou tudo espetacular à primeira e não é possível chegar a esta orgânica a não ser assim. Foi ótimo.
André Fadista (baterista) – Outra das razões que nos levou a fazer isto foi porque nós achávamos sempre que o que tocávamos ao vivo nunca transparecia para um disco e nós somos claramente uma banda de “ao vivo”. Gostamos de passar… tipo… dois dias a fazer discos! [risos] porque a seguir temos mesmo é que ir para cima de um palco com luzes e público, é onde nós nos sentimos bem. Há bandas mais de laboratório mas nós somos muito mais de “ao vivo”. Claro que gostamos de compor, porque há sempre aquele fator novidade de ser uma canção nova, mas gostámos muito mais de fazer isto assim, todos juntos; não há hipótese do disco soar desta maneira se estiver cada um para seu lado. E depois estamos ali a rir-nos, concentrados, a fazer coisas de cabeça, parece um concerto ao vivo. Queríamos passar às pessoas um bocado da sonoridade que temos ao vivo, onde nos sentimos em casa.

DA – Vocês costumam ter sempre nos vossos álbuns uma faixa reservada para colaborações. Quem mais é que aparece neste disco?
Paulecas – Este disco tem a colaboração de duas pessoas: uma musical e outra num videoclipe. A musical é do Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés, que já andava para fazer isto há uns anos valentes, porque somos amigos e havia esta vontade de colaborarmos com uma pessoa que admiramos muito no rock. Chegou a altura, foi no tema ‘Vive’. Depois tivemos, nesse mesmo tema, a colaboração do Garrett McNamara que surgiu depois de uma noite de copos [risos]. Nós fizemos aquele tema e decidimos logo que o Zé Pedro era fixe porque a canção fala de experiências de vida ao limite, portanto o Zé Pedro, que já passou pelo limite em diversas fases da vida dele, tinha que ser. A outra foi o Garrett McNamara que também vive a vida ao limite porque alguém que enfrenta ondas de 30 metros não é propriamente uma pessoa “normal”, não é? [risos] Eu pelo menos não o faço! [gargalhadas]. Por portas e travessas lá começámos a fazer contactos e chegámos à conclusão que havia uma pessoa em Portugal que trabalhava com ele e que lhe fez chegar o tema. Ele gostou imenso e disse-nos que podíamos usar as imagens dele a surfar. Quando isto aconteceu estávamos em estúdio a gravar com o Zé Pedro, portanto, foi um dia em cheio de rock e surf. Estamos muito gratos por isso porque o McNamara é uma estrela mundial. Três minutos da sua imagem custam muito dinheiro e nós conseguimos tê-las, foi muito fixe a participação dele e o facto de ter gostado da música. ‘Vive’ foi o primeiro single do “Raio-X”, já tem mais de seis meses. Também costumávamos ter a participação do José Luís Peixoto. Desta vez isso não aconteceu mas vai voltar a acontecer num futuro próximo, ele é um escritor muito bom.

Raio-X dos seBENTA acabadinho de chegar
Raio-X dos seBENTA acabadinho de chegar

DA – Há mais de uma década, quando vocês surgiram, o rock em Portugal não estava exatamente como está agora. Hoje é mais fácil consumir-se rock em português ou nem por isso?
RG – Essa tem rasteira… [risos]. Há quem generalize e diga que o rock já não tem lugar, que já não é o que era, que tem a ver com modas, outros dizem que está melhor… Antigamente nas régies dos estúdios, estava um senhor que quando aparecia uma banda com um som novo, que ninguém sabia o que era, deixava gravar e depois logo se via no que ia dar. Hoje em dia está lá um senhor com vinte e poucos anos e que diz logo se isto vai dar ou não, se é o que as pessoas querem ouvir… portanto, há sempre alguém que tenta comandar as tendências. Como nós vivemos um bocado à parte das modas, dos hypes e dessas histórias todas, estamos bem. Tocamos rock, gostamos de rock, e acho que o rock tem o seu lugar; tem que ser difundido e ouvido. O rock precisa é de pilhas e é o que nós estamos a fazer; a meter pilhas nisto.

DA – E como tem sido a receção do público ao vivo aos temas novos?
AF – Estes temas funcionam muito bem ao vivo, são um estoiro! [risos]. Acho que resultam num concerto muito poderoso, não é que dantes não fossem concertos poderosos, mas estes elevam ainda mais a fasquia, são os chamados “temas de estádio” mas que combinam muito bem com os dos álbuns anteriores. Ainda não tocámos num estádio, se fosse possível gostávamos imenso, pode ser um Wembley para começar [risos]. A receção tem sido ótima, acho que as pessoas não estavam à espera porque nós subimos, de facto, uns degraus. Isto ao vivo é só energia!

DA – Quem são, ainda hoje, as bandas que mais ouvem?
Paulecas – Há duas bandas que têm enorme importância na minha vida: os U2 e os Foo Fighters. Estes porque têm a ver com os Nirvana, eu acompanhei logo a saída do Dave Grohl dos Nirvana, a fase em que ele cai, tem de voltar atrás, refazer tudo e depois funda os Foo Fighters. Depois, eu costumo dizer que existem as bandas e os U2. No processo de profissionalização da música acho que eles são uma banda planetária, em qualquer parte do mundo toda a gente sabe quem são e já os viu ou ouviu. Chegar a esse patamar não é fácil e os U2 conseguem sempre apresentar um disco ou uma tournée que é novidade. Foi uma banda que sempre me chamou a atenção pela construção das músicas, pela parte vocal do Bono, e principalmente pelo conceito de banda que têm. Acho que, tal como os Foo Fighters, exemplificam o que deve ser uma banda e nós também não fugimos a isso. Os seBENTA são uma união, independentemente de outros elementos terem cá estado, sempre tivemos este princípio de união, não gostaria de estar numa banda que não funcionasse como família. É impossível fazer uma tournée, os ensaios ou a estrada se não houver isso. Há a parte chata das frustrações que temos enquanto músicos e nessas alturas a banda tem de se agarrar a esse espírito de união e que não tem nada a ver com o facto de sermos todos muito parecidos, isso é a maior treta que pode haver. Aquilo que nos une são as nossas diferenças e nós temos discussão saudável entre nós. Já fizemos 12 anos de carreira, sempre assim foi e isso transparece ao vivo.
RG – Foi o senhor Brian May que me fez querer tocar guitarra. Comecei a tocar com uma raquete enquanto via os concertos dos Queen e decidi que era isto que queria fazer, estar num palco, com gente à frente. Depois, escolho Iron Maiden, AC/DC e DAD. Não vou explicar porquê porque não é preciso. Vejam os concertos e ouçam os discos. Mark Knopfler e ZZ Top foram outros professores de guitarra, eu imaginava-me a tocar e a vibrar com eles. Continuo a ouvir todos estes.
AF – Eu sou completamente viciado em música. Saquei o Spotify há poucos dias e já tenho mais de 200 álbuns, é um vício, não consigo viver sem fones. Queen foi a banda que me fez querer ser músico. O álbum “Live at Wembley” e Freddie Mercury com 80 mil pessoas na mão, mudou a minha vida. Foo Fighters é uma banda que me inspira muito, necessito dela muitas vezes para enfrentar o mundo e as minhas inseguranças. Há temas como ‘The Pretender’ que têm essa força do “bora lá partir isto tudo”. Queens of the Stone Age e Josh Homme também adoro, as letras são muito punks. Depois é AC/DC, aquela banda que eu vou sempre buscar quando não sei o que hei-de ouvir e cai sempre bem, seja inverno, seja verão, esteja a conduzir ou a fazer outra coisa qualquer… Eles nunca mudaram o que são, do primeiro ao último disco eles são… eles! E é isso que os mantém. Para mim eles são a instituição do rock.

DA – Foste ao concerto de 7 de maio?
AF – Não. E estou dividido: não sei se concordo com aquele vocalista ou não! [gargalhadas].

Daniela Azevedo

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