Pedro Vicente, o psicomotricista que se tornou músico: «Uso as canções como ferramenta na criação da relação terapêutica»

Pedro Vicente e o álbum de estreia Espera 2017

Pedro Vicente é um jovem cantor que, apesar de sempre ter gostado de música, nem sempre teve o sonho de se dedicar a um instrumento em particular.

Psicomotricista de profissão, Pedro Vicente tem vindo a desenvolver a sua atividade com crianças, jovens e adultos com necessidades e capacidades especiais e foi precisamente nesse contexto que se apercebeu que tinha de encontrar um método terapêutico que facilitasse várias tarefas do seu dia-a-dia enquanto profissional. Foi assim que, o agora também cantor Pedro Vicente, decidiu pegar na viola e transformar emoções em canções que acalmam e concentram.

Tendo na música uma poderosa aliada profissional, o cantor já reuniu material suficiente para lançar o primeiro álbum, “Espera”, no qual abre o seu coração a várias emoções. ‘Mais Um Segundo’, disponível mais abaixo, é o single de apresentação. A diversidade dos onze temas originais que integram o álbum, reflete a multiplicidade de vivências que o inspiram, tendo sempre o amor como fio condutor e elemento que facilmente o conecta a quem ouve.

Quem não gosta de ouvir música enquanto trabalha? Agora imagine-se fazer música enquanto se trabalha? Pedro, conta lá como é…

 

 

Daniela Azevedo e Pedro Vicente em Lisboa após o lançamento do álbum de estreia
Daniela Azevedo e Pedro Vicente em Lisboa após o lançamento do álbum de estreia

Daniela Azevedo – Pedro, a tua história no mundo da música é bastante peculiar. Como é que da tua profissão enquanto psicomotricista evoluiste para cantor?
Pedro Vicente – A música sempre esteve na minha vida mas não de uma forma profissional. Um psicomotricista trabalha, essencialmente, o corpo em movimento com base na junção de vários fatores, nomeadamente a parte cognitiva, e também muito as emoções e experiências que vamos tendo ao longo da vida. Na prática o psicomotricista ajuda pessoas de várias faixas etárias, que desencadearam alguns problemas em determinadas fases do desenvolvimento, e cria-lhes estratégias para se adaptarem às suas circunstâncias de vida e aos contextos em que têm que viver. O grande desafio da psicomotricidade é dar-lhes autonomia para terem uma vida plenamente realizada na relação consigo mesmos e com os outros. O contacto com diferentes pessoas, populações e contextos, levou-me a usar mais a música, primeiro como ferramenta na criação da relação terapêutica, e depois como instrumento na parte de intervenção; é uma grande aliada.

DA – Mas, no concreto, como é que funciona? Pões música a tocar num determinado momento ou tocas tu para os teus pacientes?
PV – Tenho a vantagem de, em pequeno, ter tido formação musical, estudei piano e acabei por aprender a tocar outros instrumentos, por isso, posso usar a música tocada ao vivo, o que me dá uma flexibilidade muito maior em termos de intervenção e das terapias a que recorro. Consigo pegar na música que quero sem ter que ter comigo algum aparelho e posso usá-la conforme necessito: consigo tocá-la ora mais devagar, ora mais depressa, mais alto ou mais baixo, sem ter que estar a mexer em botões… é uma relação muito mais pessoal; consigo ir percebendo o que é necessário naquele momento e ir-me adaptando.

DA – Há alguma canção que sintas que tem um efeito particular? A que recorras mais vezes, por exemnplo?
PV – Esta ‘Mais Um Segundo’ é uma a que recorro com mais facilidade porque tem um refrão muito marcado, que fica no ouvido; tem um tempo bem marcado, é bem disposta e é facil por todos a mexer ao som dela.

DA – Ficam todos mais bem dispostos…
PV – Sim, com mais energia, mais acordados! [risos].

DA – Este teu álbum de estreia, “Espera”, tem 11 músicas. Foram todas compostas por ti?
PV – Sim, todos os temas são compostos por mim, letra e música. Este trabalho não foi muito pensado; nunca pensei lançar um disco e tornar-me músico profissional. O que aconteceu foi um processo um bocadinho diferente: as músicas vieram ter comigo quando eu menos esperava, de forma natural. Não só estas onze mas outros temas que ainda tenho na gaveta e que espero vir a revelar. As pessoas mais próximas foram-me incentivando e eu decidi gravar. A produção é de Pedro Vaz.

DA – Em relação a este tema de apresentação do disco, ‘Mais um Segundo’, qual a história que o inspirou?
PV –  Este tema conta a história de um amor, que pode ser específico ou no geral. É uma história que também nos fala muito desta grande polaridade que existe no amor que é um sentimento que, por um lado, nos deixa seguros e, por outro, totalmente inseguros; que nos faz dar a volta ao mundo ou perdermo-nos no caminho; pode ser intenso e descontrolado, leva-nos a cometer loucuras… é isto; tentarmos parar o tempo para viver uma paixão e depois o tempo passa a correr e qualquer segundo é fundamental.

DA – Tendo por referência esta música, arrisco a dizer que este é um trabalho de base acústica. Há alguém neste género musical com quem gostasses de fazer um dueto?
PV – É algo que ainda não está pensado. Há muito boas vozes no panorama nacional com quem gostaria de ter a honra de partilhar um palco ou a gravação de uma faixa mas até agora ainda não está pensado.

DA – Até onde é que queres levar o teu disco?
PV – A todo o lado! [risos]. Quero levá-lo aos principais palcos. Estou a trabalhar no meu concerto de apresentação que quero que seja em grande. É uma surpresa que em breve revelo e quero fazer o caminho da estrada. Quero levar estas canções para junto das pessoas, onde eu acho que têm mais potencial para ganhar força, nas relações e ligações mais amorosas ou apenas afetuosas. Acho que é no espetáculo ao vivo que elas se vão adaptar em força aos grandes públicos.

 

 

Daniela Azevedo

1 Comment

  1. Eduardo Fernandes Reply

    A minha inspiração vem de gente como o Pedro e da sua atividade que é tão rica e tão contemplativa na sua outra profissão. Sabe onde encontro mais informação sobre ele?

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