União das Tribos sobre o rock em português: «Gostamos da coisa à moda antiga»

União das Tribos lançam álbum Amanhã em fevereiro de 2017

União das Tribos é um projeto de rock bem português, nascido na Margem Sul, que está, este ano, a lançar o segundo álbum, “Amanhã”. Liderada por António Côrte-Real, a banda conta com músicos dos UHF e dos More Than A Thousand.

Em 2013 decidiram juntar-se e começar a trabalhar num projeto comum. Mauro Carmo, na voz, António Côrte-Real, na guitarra (UHF), Wilson Silva, na bateria (More Than a Thousand) e Cebola, no baixo (Dr. Estranho Amor e UHF) interpretam canções simples e fortes, de refrões orelhudos a remeterem para as suas influências nos gigantes do rock clássico. Quando surgiram, a versão de ‘Rockin’ in the Free World’ valeu-lhes o apreço dos fãs do rock.

O novo disco da União das Tribos é a página que separa dois capítulos. Apresentando um novo vocalista, Mauro Carmo, e em parceria com David Arroz, foi surgindo a composição das letras. A entrada em estúdio, com a banda reunida e a escolha dos convidados, deu origem ao que pode ouvir-se hoje, neste registo.

“Amanhã” inclui nove temas originais e duas versões, uma das quais da ‘Canção do Engate’, com interpretação de Miguel Ângelo.

Em “Amanhã”, à voz da União das Tribos juntam-se Tim, Anjos e António Manuel Ribeiro, convidados no disco e que estiveram presentes no espetáculo de apresentação do álbum, no Auditório Fernando Lopes Graça, em Almada, a 11 de fevereiro. Carlão e Mafalda Arnauth são outros nomes que dão voz aos temas de autoria de António Côrte-Real e David Arroz. Lá mais abaixo está a canção que dá nome ao álbum. E que mais aconteceu em palco? Fui saber…

Amanhã é o título do novo álbum da União das Tribos
Amanhã é o título do novo álbum da União das Tribos

Daniela Azevedo – Vocês já têm um significativo passado musical, a vossa versão de ‘Rockin’ in the Free World’, ajudou a lançar-vos, mas nesta altura, e porque a banda sofreu recentemente uma remodelação, quero pedir-te que nos contes um pouco do vosso percurso até aqui e, acima de tudo, que grandes mudanças foram essas que levaram ao álbum novo.
António Côrte-Real – Em 2012, juntei um grupo de amigos para montarmos uma banda com um objetivo em mente. A coisa aconteceu muito bem, gravámos um disco, começámos a tocar ao vivo mas, entretanto, o nosso vocalista precisou de mudar de vida, do sítio onde vivia, e foi para longe. Ficámos sem vocalista e andámos umas semanas desorientados, até nos encontrarmos novamente quando também encontrámos o Mauro Carmo, o nosso atual vocalista, e começámos a trabalhar neste disco a fundo há cerca de ano e meio. Na altura em que ficámos sem vocalista, começámos a trabalhar na ideia de fazermos um disco só com vocalistas convidados. Como entretanto chegou o Mauro, gravámos um disco que é metade cantado por ele, e a outra metade é cantada por vocalistas de outros grupos que nós admiramos na música portuguesa. Nós não quisemos, propriamente, vir aqui ter, mas foi onde acabámos por chegar, por assim dizer [risos].

DA – As músicas que compõem o álbum novo foram, então, compostas nesse ano e meio ou são composições mais antigas?
ACR – As letras são recentes, foram todas compostas agora, mas as músicas já vêm de um lote, porque eu estou sempre a compor, que vou juntando e guardando, e quando decidimos gravar um novo disco fazemos uma escolha a partir desse lote. Portanto, algumas são muito recentes, como a canção ‘Rasgar Tudo’, que foi composta uns cinco dias antes de entrarmos em estúdio, mas, por exemplo, a ‘És Como És’ ou ‘Sozinho’, a canção interpretada pelo Tim, dos Xutos & Pontapés, já têm mais de dez anos.

DA – Há alguma história peculiar que vos tenha acontecido, quer na fase de composição, quer na fase de gravação?
ACR – Sim, na fase de gravação. Nós começámos a gravar o disco sem convidarmos as pessoas, porque queríamos ter uma maqueta para lhes mostrarmos, relativamente à música que tínhamos pensado para elas. Primeiro gravámos toda a parte musical do disco, depois gravámos com o Mauro referências de voz e, só depois, começámos a fazer os convites. A história curiosa é que todas as pessoas a quem fizemos o convite, responderam: “Pah, gosto da música, vou fazer isto” [risos]. O que é incrível porque temos no mesmo disco o vocalista dos UHF, o vocalista dos Xutos & Pontapés, o ex-vocalista dos Delfins, os Anjos, a Mafalda Arnauth e o Carlão; para nós isto é muito marcante.

DA – Pois deve ser, é que musicalmente são artistas que não têm muito em comum…
ACR – Pois [risos] A Mafalda Arnauth vem do fado, o Miguel Ângelo e os Anjos vêm da pop, embora de gerações diferentes, o António Manuel Ribeiro e o Tim vêm do rock dos anos 70 e 80, e o Carlão vem do hip-hop, portanto é uma grande mistura mas adaptaram-se todos muito bem ao som da União das Tribos.

DA – O rock n’ roll em português é o marco identitário da União das Tribos?
ACR – É isso mesmo; o que nós fazemos é rock em português. Não quer dizer que não haja uma balada ou um tema mais pop, que também os há, mas a base da União das Tribos é rock cantado em português.

DA – De onde vem o nome União das Tribos?
ACR – Este nome surgiu porque a formação inicial da União das Tribos era composta por músicos que vinham de vários projetos, portanto, nós não nos juntámos para formar uma banda porque cada um já tinha a sua. E eu sempre achei que as bandas são tribos de pessoas que se juntam em função da música. A ideia foi minha mas o nome surgiu naturalmente e toda a gente achou piada [risos]. Até agora ainda não houve discussão sobre isso e espero que continue assim; é muito bom sinal [risos].

DA – Eu li que vocês ao vivo são uma banda old school, com tudo muito analógico. É mesmo assim?
ACR – É mesmo verdade! Guitarras, amplificadores, baixo e bateria, quanto mais antigos, melhor. Gosto da coisa um bocadinho à moda antiga. Não gostamos de material pré-gravado, como outros grupos fazem, portanto, tocamos tudo na hora como se faz no rock n’ roll mais clássico.

DA – Por outro lado vocês são bastante ativos nas redes sociais. É garantido que se lá formos ficamos a saber mais sobre vós?
ACR – Tudo, ficam a saber tudo sobre nós [risos]. Inclusivamente esta entrevista já lá esta, queres ver? [risos]

DA – Depois do boom que estão a ter neste primeiro trimestre do ano, até onde vão?
ACR – Olha, eu não sou treinador de futebol mas acho que a lógica dos grandes treinadores de futebol, pelo menos portugueses, parece-me boa e é: há que pensar sempre no passo imediatamente a seguir e não no que vamos fazer daqui a seis meses. Portanto, o objetivo agora é preparar o melhor possível o próximo espetáculo, promover o disco o melhor possível para fazer a mensagem chegar às pessoas e criar-lhes a curiosidade para irem ouvir a nossa música, o que podem fazer em todas as plataformas digitais, ou comprar o nosso disco nas lojas. A União das Tribos existe, é um grupo que faz música e é muito gratificante perceber que as pessoas estão a corresponder e a ouvir-nos.

Daniela Azevedo

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