Alex D’Alva Teixeira e o ano de 2017: «O amor tem tudo para ser uma missão»

Dalva fotografados por Leonor Fonseca

Os D’Alva têm música e vídeo novos, ‘Amor Missão’, para ouvir e ver mais abaixo. O tema resulta da ação que a dupla fez no ano passado, nos estúdios da Tradiio, quando se propôs a compor, produzir e gravar um single, do zero, sob o olhar atento e crítico da Internet, num processo que foi feito através de livestream, com interação entre banda e fãs em tempo real, sugestões do público, convidados que ora conversaram, ora colaboraram. Um deles foi o rapper Sir Scratch.

O processo, que já tinha acompanhado em 2016, teve por objetivo estreitar a distância entre quem cria uma canção e quem a ouve.

O resultado disto tudo é a “salada de fruta” que os D’Alva teimam em produzir com um toque da pop dos anos 90, um piscar de olhos à soul, e aos Gorillaz de Damon Albarn (em particular quando as rimas de Sir Scratch tomam as rédeas) num registo “seriamente fun”, sem outras intenções.

Quando chegou a altura de traduzir a música em vídeo, fez-lhes todo o sentido dar seguimento ao lado humano que permeou o projeto, fazendo algo que agregasse ao invés de espalhar, algo que colocasse no centro da narrativa as pessoas por detrás das palavras, das ideias, dos perfis sociais, em toda a sua diversidade, em particular aquelas com quem a banda cultivou algum tipo de afinidade. Foi assim que chamaram os amigos. E para saber mais sobre toda esta aventura, apanhei o Alex D’Alva Teixeira numa destas manhãs de muito trânsito a caminho do estúdio. Eis o resultado:

Daniela Azevedo – Alex, conta-me lá melhor como foi todo esse processo até se chegar ao ‘Amor Missão’…
Alex D’Alva Teixeira – Foi assim como descreveste. Fomos para o estúdio da Tradiio e começámos a fazer tudo do zero. Estabelecemos um prazo de duas semanas mas não era só para escrever a música, era também para a gravar. A única parte que teria de ficar de fora seria, obviamente, a masterização porque, para o fazer, é preciso termos um estúdio apropriado e o que nós queríamos era mostrar o mesmo processo que usamos em casa, como fizemos no nosso primeiro disco. E queríamos mostrar às pessoas que não é preciso investir em material muito caro ou ter os instrumentos mais caros para fazer música com qualidade suficiente para passar numa rádio, por exemplo. Na primeira semana trabalhámos em dois projetos e as pessoas votaram na música de que mais gostaram. Na segunda semana fizemos a letra e os arranjos e foi assim que surgiu o ‘Amor Missão’.

DA – E o vídeo? Como é que surgiu entretanto?
ADT – O vídeo também foi uma ideia interessante. Como, entretanto, passou um ano, porque demos mais concertos dos que estávamos à espera e isso foi muito fixe, precisávamos de uma ideia rápida e fácil de executar, principalmente ao nível do orçamento, porque nós somos uma banda independente, não dispomos de budget de editora. Então, também tivemos que ser nós a fazer o vídeo. Foi assim que surgiu a ideia de juntarmos os nossos amigos, várias pessoas de contextos diferentes e fazer um lyric video com todos porque a canção é sobre isso; fala muito sobre o respeito pelas diferenças entre todos, acima de tudo diferenças de opiniões. Basicamente, foi uma questão de explicar aos nossos amigos as ideias e combinar com cada um deles um dia para fazermos a filmagens.

DA – Vocês continuam a ser um duo; continuas a estar com o Ben?
ADT – Sim, claro que sim, nós somos o núcleo duro mas acabamos por trabalhar para D’Alva como um coletivo, porque colaboramos com muito mais pessoas. Ao vivo somos seis em palco e depois temos outras pessoas que nos ajudam a tratar de tudo o que diz respeito à área visual, sempre que possível colaboramos com designers de moda e gostamos de olhar para isto como um grupo de amigos porque há muita gente que nos ajuda neste processo de criar arte.

DA – A vossa música pretende passar algum tipo de mensagem ou é uma inspiração momentânea?
ADT – Não temos nenhuma espécie de ideologia política ou religiosa, nem nada parecido! É óbvio que queremos comunicar alguma coisa às pessoas. As nossas músicas falam sobre assuntos do quotidiano. No caso do ‘Amor Missão’ teve a ver com a forma como percebemos que, na Internet, as opiniões são cada vez mais polarizadoras, e é muito fácil esquecermo-nos que a pessoa que está do outro lado, e que discorda da nossa opinião, também é um Ser Humano com sentimentos, por isso, é necessário termos alguma empatia sempre que estamos a debater assuntos na Internet e fora dela. Hoje em dia é muito fácil acharmos que estamos numa bolha onde todos os que estão à nossa volta pensam da mesma forma que nós e concordam connosco e muitas vezes esquecemo-nos que há muitas pessoas com uma perspetiva diferente da vida e do amor.

DA – Vocês vão estar nalgum festival em breve?
ADT – Vamos ter três datas muito especiais mas ainda não te posso falar muito sobre elas [risos]. Em cada uma delas vamos estar a tocar coisas que não voltaremos a tocar e serão um espetáculo visual que também não iremos repetir. Para este ano estamos a projetar concertos muito especiais porque os vamos fazer ao mesmo tempo que estamos a gravar um disco novo e queremos dar uma perspetiva diferente.

DA – Achas que o amor tem tudo para ser uma missão em 2017?
ADT – Sem dúvida alguma [risos]. O amor tem tudo para ser uma missão. As pessoas gostam muito de usar palavras como tolerância, por exemplo, mas acho que o amor é o valor mais importante. Mais do que termos expectativa em relação às outras pessoas, é importante termos esperança em relação aos outros.

Daniela Azevedo

Foto: Leonor Fonseca

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