Balanço dos festivais de verão 2016

Rádio Comercial 2016

Sol, calor, computadores, câmaras e microfones, dias compridos (e madrugadas), stresses e alegrias, correrias e gargalhadas e, acima de tudo, música em todos os ambientes e para todos os gostos é o que os festivais de verão em Portugal proporcionam cada vez mais e cada vez com melhor qualidade.

Este ano, a minha digressão festivaleira começou no Rock in Rio. Com o terceiro dia do festival a ficar marcado pelos infindáveis e muito mediáticos problemas de som no concerto dos Korn – “a pipoca que não estalou” – acompanhei a noite mais “pesada” do RiR com a classe feminina a suspirar por Johnny Depp nos Hollywood Vampires.

Seguiu-se o NOS Alive. O festival de Algés é, pela minha experiência, o mais duro para se trabalhar. Os dias colam-se às noites que não se distinguem das madrugadas para acompanhar e levar até aos internautas tudo o que nos é possível observar e recolher nos três dias daquele que é considerado um dos melhores festivais da Europa, pelo NME, e um dos dez melhores do mundo, pela CNN. Este ano houve gelados mas, regra geral, temos fome, frio e um desconforto generalizado que aumenta a cada concerto que “fazemos” mas em dez edições falhei duas (2009 e 2010). Isto deve ter-me aumentado a resistência.

Com a paixão que tenho pelo Porto, pelas suas gentes e lugares,  estrear-me no Marés Vivas foi um convite à descoberta do apaixonante mundo festivaleiro a norte. A surpresa foi excelente. O cansaço do Alive deu lugar a concertos a que pude assistir com vista privilegiada. Regressar à antena da Rádio Comercial, 14 anos depois de ter deixado o outrora “Serviço Nacional de Trânsito”, permitiu-me sentir e viver (sim, ri e chorei que nem uma alminha perdida) o espetáculo de Elton John de outra forma. A energia que se despende a trabalhar num festival como o Meo Marés Vivas é muita e, com frequência, achamos que o nosso corpo vai entrar num estado de exaustão sem regresso possível mas a energia que se ganha suplanta tudo e revigora corpos e almas.

Ainda em julho e com as noites da Rádio Comercial instaladas na Expofacic, em Cantanhede, Manuela Azevedo, dos Clã, o conhecido humorista Bruno Nogueira, acompanhados de Filipe Melo, Nuno Rafael e do contrabaixista Nelson Cascais, subiram ao palco para apresentar o espetáculo “Deixem o Pimba em Paz”. Inicialmente pensado para ser algo de curta duração, há vários anos que o concerto empresta arranjos musicais elaborados a temas tipicamente designados como sendo do estilo “pimba”. E é coisa para continuar.

O segundo dia de Expofacic foi passado entre amigos: em cima do palco e em todo o recinto.

Daniela Azevedo e Ana Isabel Arroja na Expofacic 2016
Daniela Azevedo e Ana Isabel Arroja na Expofacic 2016

A noite de sábado, 31 de julho, foi de Xutos & Pontapés (será que foi o meu concerto n.º 100 deles? Deve andar lá perto).

Tim com Daniela Azevedo para a Rádio Comercial na Expofacic 2016
Tim com Daniela Azevedo para a Rádio Comercial na Expofacic 2016

Mas nem só de música se fez a 26.ª Expofacic – Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Cantanhede. Com 500 expositores e 45 tasquinhas exploradas por associações do concelho, além dos restaurantes e espaços de comida rápida presentes, o reino animal também esteve devidamente representado.

Daniela Azevedo e Marta Santos na Expofacic 2016
Daniela Azevedo e Marta Santos na Expofacic 2016

Do centro do país fazem-se as malas e tenho pela frente mais de uma semana de luxo na Fatacil. Com uma organização sem mácula, a Fatacil é considerada a “âncora” do Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Industria, já que o seu efeito disseminador vai além das “fronteiras” de Lagoa ou do Algarve. Na 37.ª edição, com a Rádio Comercial a acompanhar, os D.A.M.A. abriram para um público maioritariamente jovem.

Mesmo sem se saber ao certo qual é o segredo por detrás do tremendo sucesso que Agir alcançou em pouco mais de um ano, desde que estourou no panorama musical, o que é certo é que a fórmula atraiu mais de 20 300 visitantes à Fatacil o que, em noite de uma segunda-feira, se traduziu, segundo a organização, num “recorde absoluto”.

Depois de ter andado a espalhar ternura musical com o António Zambujo nos Coliseus e de até se ter estreado em junho com dois concertos em Londres, Miguel Araújo continua a dizer “sim” às muitas solicitações que tem para tocar em festas, festivais e demais atuações por esse Portugal fora. Prometeu que vai voltar à capital inglesa mas na noite desta terça-feira foi no palco da Fatacil, em Lagoa, que fez magia com os, mais uma vez, milhares de visitantes que aqui vieram e que, depois do jantar, não dispensaram a boa disposição e boa música do cantor.

Miguel Araújo na Fatacil 2016 com a Rádio Comercial
Miguel Araújo na Fatacil 2016 com a Rádio Comercial

Mais uma vez atravesso o país para fechar a tour festivaleira 2016 na Noite Branca de Braga onde a animação não pára e a música não cansaA quinta edição da Noite Branca de Braga superou as expectativas da organização ao receber mais de 300 mil visitantes ao longo das 48 horas de música, arte e cultura. Naturalmente, que o nosso peito se encheu de orgulho (além do smile vermelhinho que nos acompanhou o tempo todo), e celebrámos a última noite da temporada de festivais com uma (quase) direta. Afinal, um verão assim, só se vive uma vez.

Daniela Azevedo
Fotos e vídeos: Joana Baptista, João Correia e João Matos

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