André Viamonte: «O álbum é bonito mas é cru, autêntico e verdadeiro»

André Viamonte lança álbum de estreia - Via

André Viamonte está a realizar concertos de apresentação do seu álbum de estreia, “Via”. O trabalho tem 14 canções sobre «um percurso de vida com altos e baixos» e conta com as participações especiais do músico Fernando Girão e da fadista Teresa Lopes Alves. ‘To MyselfTown’ é o single de apresentação, que pode ouvir mais abaixo.

Musicoterapeuta de profissão e artista por vocação, André Viamonte foi buscar às suas experiências profissionais diárias muito da inspiração para compor “Via”, disponível nas plataformas digitais.

Sentamo-nos à conversa e logo se percebe que… it’s all about life.

André Viamonte com Daniela Azevedo a propósito do lançamento do álbum de estreia
André Viamonte com Daniela Azevedo a propósito do lançamento do álbum de estreia

Daniela Azevedo – “Via” é o teu álbum de estreia, por isso, temos que começar por perceber do que se trata.
André Viamonte – É um percurso de vida, são emoções e cada tema reflete um determinado estado de espírito. Fala de relações interpessoais, de pessoas e de vida. Todos nós já fomos crianças e passamos por uma fase de maior aceitação, de brincadeira, mais nonsense, em que nos ríamos de tudo… era mais simples e há temas que retratam isso, o espírito do “não importa, vamos embora”. À medida em que o álbum vai avançando, também o sentimento se vai tornando mais elaborado, o coração fica mais pequeno, a vida não é tão fácil e há situações ali descritas com que me identifiquei muito. Agarrei nessa informação toda e tentei ser o mais honesto possível: se isto identifica tanta gente, pode identificar uma comunidade inteira. Não é uma visão individualista que às vezes os artistas têm; aqui eu identifico-me com elas mas há mais gente que também se identifica. E estou a ver um impacto nas pessoas que está a ser muito gratificante.

DA – Já fizeste um primeiro concerto de apresentação do álbum. O feedback que tiveste foi, portanto, muito positivo?
AV – A quem foi ao concerto eu dei um frasquinho e lá dentro estava um quadradinho que dizia: “respire profundamente, dê um sorriso a uma pessoa que esteja lá longe no concerto e depois, no momento certo, abra e feche o fraquinho para levar consigo um bocadinho do concerto para casa”. Foi uma coisa single mas houve quem entrasse na dinâmica e a parte gira foi estar a cantar e ver as pessoas a abrirem os frasquinhos… A parte mais gira é quando as pessoas se comovem com um tema, olham para o lado e, sem conhecerem a outra pessoa de lado nenhum, notam que se está a comover no mesmo momento, do mesmo tema. É muito gratificante ver que se compreendem, que há uma união, uma comunhão… é giro porque conseguiram sentir as diferentes emoções dos temas. Mas isto esgota, tenho que fazer um segundo álbum menos emotivo! [risos]

DA – É um álbum de vivências, então…
AV – Sim! Desde o ‘Arrival’, que é a vinda, passa pelo ‘Heaven’s Day’, que é a criança, e pelo ‘Heartland’ e o sentimento subtil de carinho de amor entre pais e filhos. Este refrão é muito dedicado às crianças que têm uma força descomunal. Depois tem a maturação, o amadurecimento, a fase do “as pessoas são assim, não há nada a fazer”, como em «run, there’s no time to waste on people». Há o medo da morte e a perceção do “será que valeu a pena?”. O álbum é bonito mas é cru, autêntico e verdadeiro.

DA – Fernando Girão e Teresa Lopes Alves são dois convidados especiais no teu álbum. Porquê eles?
AV – Eu tinha o sonho de convidar pessoas que fizessem parte de situações concretas refletidas em determinados temas. Achei que o Fernando Girão era a voz ideal para o ‘Eternal Return’, o segundo tema, que fala sobre um contrato cósmico que um senhor velhote e sábio faz na Terra com o Universo: “Se virá uma Alma, então que venha no seu tempo e dê início a algo bom”. Só o Fernando Girão para fazer essa voz de Xamã, de sábio, quase um cântico de índio. A Teresa Lopes Alves tem um timbre lindíssimo de fado, super-interessante, e a música ganhou imenso com ela. E ao nível de personalidade eles dois têm a ver com os temas. Por exemplo, se fosse a Celine Dion não servia! [risos].

DA – Onde é que imaginas os teus fãs a ouvirem o “Via”?
AV – No carro, obviamente, porque estão no trânsito! [risos]. Imagino-as a ouvirem com ouvidos de ouvir porque não é uma música para digerir de forma rápida porque também ele foi feito com muita dedicação e entrega.

DA – E porque cantas tu em inglês?
AV – A culpa é da minha mãe! [risos]. O facto de eu ter nascido na Suíça, permitiu-me o acesso a muitas línguas desde cedo mas em casa falávamos em português. O inglês é a língua universal com a qual me sinto mais à vontade; é-me mais fácil expressar em inglês, até pela construção das frases porque uma dá para vários sentidos. Eu admiro quem escreve em português porque é preciso muito talento para manobrar esta língua. Compor em português remete-me logo para o fado.

DA – Achas que podes vir a cantar fado?
AV – Tudo é possível, não sei… Porque não? A parte da Teresa Lopes Alves, numa fase inicial, tive que a fazer em fado para ver como soava. Nunca foi algo que me puxasse mas quem sabe se não surge um convite ou outro.

DA – Que momento destacarias no teu percurso até chegares aqui, ao álbum de estreia?
AV – Houve um momento, em 2010, em que eu queria editar um álbum. Mas acabei por decidir que não era o momento certo porque era tudo tão difícil, tão difícil que… provavelmente não era adequado. Mas serviu-me para perceber que era isto que queria fazer.

DA – Tu és musicoterapeuta. Tendo por base essa tua formação, que música nos recomendas para aguentarmos a semana até ao fim?
AV – Tens duas músicas boas: a ‘To the World’ que é uma celebração e a ‘Heavens Day’ que fala do “aceita, sorri, vai tudo correr bem”.

Daniela Azevedo

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