Dupla Zambujo/Araújo: da amizade adolescente para 17 concertos esgotados

Miguel Araújo e António Zambujo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 17 de março de 2016, fotografados por Marco Almeida

António Zambujo e Miguel Araújo deram um total de 17 concertos nos Coliseus de Lisboa e do Porto no início de 2016. O sucesso foi tamanho e tão surpreendente que ambos ponderam repetir a façanha uma vez que continua a haver quem não conheça o resultado dos dois em palco e queira comprovar o porquê de tanto falatório. Felizmente, pude vê-los no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Miguel Araújo e António Zambujo conheceram-se ainda antes de cada um deles ter editado qualquer álbum. Quando António Zambujo lançou o álbum de estreia, “O Mesmo Fado”, em 2002, Miguel Araújo era um dos músicos dos Azeitonas, grupo que dava os primeiros passos na música portuguesa.

Tudo começa com palco e sala escuros. O único foco de luz começa por incidir sobre Miguel Araújo que, sem dar voz, toca logo umas guitarradas bobdylianas. Apaga-se a luz sobre o primeiro e acende-se sobre o segundo: António Zambujo num sempre assombroso ‘Foi Deus’. Se viria a ser uma noite com muitas homenagens, então que se comece em grande com Amália Rodrigues.

Miguel Araújo e António Zambujo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 17 de março de 2016, fotografados por Marco Almeida
Miguel Araújo e António Zambujo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 17 de março de 2016, fotografados por Marco Almeida

Mas se este é um concerto em que ambos nos oferecem as suas tradições musicais, nem só de campos alentejanos se pode alimentar, por isso, Miguel Araújo vai buscar Bob Dylan para fazer uma versão sua de ‘Don’t Think Twice It’s Allright’. Nada muito pretensioso, todo o concerto é apresentado como se fosse só mais um serão a percorrer as adegas dos amigos.

Miguel Araújo poderá estar, quase sem dar por isso, a criar um novo estilo de autor de músicas. Se, há algumas décadas, o intérprete era a inequívoca estrela, deixando o autor quase sempre num papel de quase eremita cujo sofrimento era o combustível para composições deslumbrantes, o músico, que se popularizou com Os Azeitonas, dá a cara por tudo aquilo que faz. Quer cante, quer “empreste” a quem o queira fazer. São exemplos disso o fado ‘E Tu Gostavas de Mim’, celebrizado por Ana Moura. A cantiga versa sobre motociclos a vapor e o Boavista Campeão. «Tinha que arranjar maneira de pôr o Boavista aqui pelo meio», brincou Araújo.

Mais em: Musicfest – O cartaz dos festivais de música

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