Massagem de som num outono a começar

Se eu pudesse decretava oficialmente os domingos como os dias mais difíceis da semana. Não são as segundas-feiras de manhã, não são as quartas-feiras a seguir ao almoço… não. Domingos. Assim, o dia todo. No entanto, e porque toda a regra tem a sua exceção, foi com particular satisfação que terminei este domingo de chuva (ainda por cima) num evento dedicado às terapias alternativas, organizado pela Alquimia de Saberes, e que decorreu em Arruda dos Vinhos. Os momentos finais do “Self Day” foram com uma “Viagem Sonora com Taças Tibetanas” conduzida por Rute Saraiva.

Taças tibetanas
Taças tibetanas

A chuva lá fora só ajudou a tornar a massagem sonora ainda mais prazerosa por conseguir dar-nos um real envolvimento com os elementos terra, fogo (das velas) e água (da chuva). Outros instrumentos, como o tambor xamânico e o pau de chuva, ajudaram à banda sonora literalmente vibrante. Além da viagem mental que a Rute nos conseguiu proporcionar, a viagem sonora começou com os olhos fechados e o corpo a agradecer a paragem no fim de um dia muito corrido até ali, e terminou no cais onde pudemos tocar nas taças e no tambor e fazê-los soar a nosso bel-prazer, ao ritmo a que o nosso corpo nos pediu para vibrar. Esta proximidade com os objetos foi uma grande valia que, por exemplo, na minha primeira experiência com taças tibetanas não consegui ter. A massagem de som foi de tal forma revitalizante que tive um dos melhores, mais descansados e relaxados domingos à noite dos últimos meses. Ou até talvez deste ano. E os nossos corpos agradecem muito essa harmonia: «Relaxa, rapariga, respira», despediu-se de mim a Rute, facilmente percebendo que por aqui a ansiedade comprou lugar de bancada para a época inteira.

A estreia do “Self Day” em Arruda ainda encontrou a barreira natural que muitos indivíduos têm para com as terapias alternativas mas a organização promete repetir o encontro neste e noutros moldes. A ausência do medicamento e a opção por alguns momentos de privação do vício do stresse, têm vindo a ser seguidas por uma crescente faixa da sociedade mas, ainda assim, fora das grandes cidades este estilo de vida é olhado um pouco de soslaio. «Tem a ver com a disponibilidade mental das pessoas para experimentarem coisas diferentes», explicou-me Susete Mália, uma das responsáveis pelo dia dedicado às terapias alternativas, mas «temos que começar por algum lado e caminhar passo a passo. As pessoas perdem a vergonha, ficam curiosas e começam a embarcar nestas loucuras saudáveis». É a natural resistência ao desconhecido que, no entanto, havendo alguma vontade, pode revelar boas surpresas.

Outubro, novembro… o que fazer com o outono nas nossas vidas?

Mandala por Elisheba Mália
Mandala por Elisheba Mália

Chegou o outono. Os dias estão mais curtos e escuros, a hora mudou, não há perspetiva de férias nas próximas semanas do calendário, ficamos mais tempo fechados em casa e no escritório e parece que todos viram as costas ao convívio. Mas o outono e o inverno não existem para nos deixar infelizes, como me lembrou Susete Mália, uma das responsáveis pela organização do “Self Day”: «Tudo é energia. No outono as pessoas começam a ficar deprimidas mas temos que olhar sempre para o copo meio cheio: se não houver chuva, não há arco-íris».

Seguindo estas palavras, podemos então ver no chá quentinho, no sorriso e no abraço, os instrumentos a recorrer para que os dias mais curtos nos remetam para uma atitude mais interiorizada, onde a energia é redirecionada para o mundo interno, favorecendo a reflexão e dando espaço aos balanços.

«A queda da folha pode ser o simbolismo para largar o que não nos interessa: o passado e as preocupações. No inverno vamos olhar para dentro: do que precisamos, como vamos alcançar os nossos objetivos, o que eu tenho que trabalhar para me tornar melhor pessoa. A mudança tem que começar dentro de nós para, na primavera, reflorescermos e iniciarmos novamente o ciclo. Esta é a altura de olharmos para a vida de outra maneira», ensina, sorridente, a Susete.

A semana promete ser toda de chuva. Mas vou tentar agarrar-me a essa sábia filosofia enquanto a tento aplicar: «Basta mudarmo-nos a nós e tudo à nossa volta muda por si só».

Daniela Azevedo

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